Página I
EDITORIAL
Entre
o grande número de personagens que compõem as solenidades
do Advento e Natal, queremos trazer presente a família de Nazaré,
especialmente Maria.
Que mistério profundo um Deus querer fazer-se carne, ser gerado,
ser gente, num corpo de mulher.
O
evangelista João bem expressa isto: "E o Verbo se
fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14).
Maria provou no corpo, nos sentimentos e na mente uma gravidez
humana normal. Bem como, provou a alegria de sentir-se geradora de
vida, amamentando o bebê Jesus. Nutriu-o, abraçou-o,
acolheu-o com calor humano. Jesus não precisou de uma mãe,
com dotes extraordinários, mas de uma mãe cheia de amor
humano, tão cheia de Deus, que suprisse tudo o que era necessário
para o seu desenvolvimento.
Maria deu à luz ao menino numa manjedoura, porque não
havia lugar para eles na pousada (Lc 2, 1-7). Ela cuidou e educou
Jesus, conservando todas as recordações em seu coração
(Lc 2, 19s), sem mesmo compreender sempre o que Jesus queria dizer
(Lc 2, 50s).
Maria ama seu filho intensamente, mas não o retém
para si.
Assim como ela tem consciência de seu papel na comunidade, e
das necessidades de seu povo, da mesma forma ela apresenta seu filho
ao mundo, para que ele possa ser "vida abundante para todos".
Em Maria, Deus se torna família. Ser família
é fazer-se próximo, conhecido, íntimo.
No viver frenético de hoje, sobretudo no Natal, onde o consumismo
ganha maior espaço, será que dá tempo para pensar
que Deus se torna membro de nossa família, gente íntima
em nossa casa?
A visualização de um presépio ou de uma
arvore de Natal, é suficiente para dizer que é Natal,
e que é tempo de lembrar que temos um Deus que está
sempre conosco?
Não seria bom lembrar que os laços familiares são
os mais marcantes na vida de uma pessoa, porque são os laços
de amor, carinho, afeto, acolhida... Deus nos concede este tempo.
Vamos aproveitar esta chance.
Através de Jesus somos todos irmãos e irmãs.
Nele, toda a pessoa, adquire dignidade.
Neste Natal, através da família de Nazaré: Maria,
José e Jesus somos convidados a:
- fazer do espaço familiar um ambiente acolhedor, terno,
onde todos se sintam irmãos e a vida possa crescer com dignidade
e igualdade;
- partilhar alegrias, vitórias, conquistas, como também
algo, mesmo que seja pouco, para deixar alguém mais feliz;
- construir novas relações, deixando de lado,
intrigas, preconceitos, exclusões para gerar mais vida no ambiente
familiar;
- esbanjar gestos, como abraçar, dar as mãos,
saudar, beijar, envolvendo as pessoas com nosso carinho e acolhida;
- confraternizar-se com os mais simples, os pobres, assim como
os pastores, estenderam suas mãos e o coração
à família de Nazaré.
Você pode criar outros compromissos, na certeza de querer fazer
o espaço familiar e comunitário, de acordo com o sonho
de Deus, sonho este iluminado por paz, alegria, esperança,
vida, fraternidade...
Obrigada a todos/as os/as que contribuíram durante este
ano, para que este subsídio catequético fosse rico em
reflexões.
A você leitor/a que muito nos incentivou, continue conosco
no próximo ano.
Feliz Natal!
Feliz 2003!
Ir.
Marlene Bertoldi
NATAL:
UMA NOVIDADE SEMPRE
O
Natal celebra a Encarnação do Filho de Deus,
que assume a condição humana nascendo na história,
dando início à grande aventura e ventura da redenção
da humanidade. Assim se expressa o Ir. Nery, fsc: "Natal
é uma privilegiada prova do amor de Deus que se faz um de nós
para facilitar-nos o acesso a Ele, à comunhão com Ele..."
Hoje, os cristãos e as cristãs devem festejar a celebração
real do Natal de Jesus, não vulgarizando, comercializando,
contradizendo a celebração original. Celebrar o Natal
de Cristo é renascer nele, para assumir com Ele a vontade do
Pai em nossa história.
Página II
(Bíblia)
BENDITOS
OS QUE ANUNCIAM A PAZ
*
Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia
em Atos dos Apóstolos - última parte *
O
Pe. Celso Loraschi, pároco em Lages - SC e professor
do ITESC, que ao longo de 2002 proporcionou aos(às) leitores(as)
deste Encarte um conhecimento de personagens, homens e mulheres, que
no primeiro século do cristianismo, fizeram parte do movimento
de Jesus, construindo caminhos para a realização do
grande sonho de Deus: a fraternidade e a paz no mundo, nesta edição
derradeira, resume suas reflexões.
Quantas pessoas dedicadas e abnegadas são portadoras do projeto
de Jesus em Atos dos Apóstolos.
Pessoas estas motivadas por atitudes de oração e de
memória na caminhada, que experimentaram um novo jeito de viver
em comunidade, que caminharam juntas, trabalhando emequipe, que viviam
a sabedoria e a compaixão, que assumiam seu ministério
garantindo vida digna sem exclusão, que viveram a missionariedade,
que promoviam a conversão e a vida nova, que estimulavam a
Igreja nas casas...
Página
III
E
DEUS FEZ-SE PRÓXIMO E ÍNTIMO
D. Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis
- MS, responde às questões: "O Natal a cada
ano está perdendo o seu sentido religioso e passando a ser
uma festa comum? Como celebrar o Natal no mundo de hoje?"
Natal é a festa da encarnação
de
Jesus: Deus que se torna gente, que nasce no meio de nós. Natal
é a festa da família: Jesus nasceu numa família,
a de Nazaré. Esta é o lugar do encontro, da vida, da
partilha, do crescimento.
Natal é festa colorida: as cores, os enfeites, as luzes externam
sinal de vida. Com sua encarnação, Jesus veio apagar
as trevas, as injustiças, o pecado, para trazer mais vida,
fraternidade, justiça e solidariedade.
C
L O N A G E M
HUMANA
A
clonagem humana é o tema tratado pela bioética, relacioanda
com a fase inicial da vida, que o Pe. Márcio B. da Silva,
professor de teologia moral do ITESC, Florianópolis - SC, reflete
nesta edição.
Clonagem
humana é uma técnica da qual resultam embriões
com padrão genético idêntico. É uma "cópia"
de ser humano. Dois são os objetivos da clonagem, hoje: clonagem
terapêutica (produção de células com mesmo
código genético de outra pessoa para fins medicinais)
e reprodução (técnica de reprodução
assistida favorecendo casais que não conseguem ter filhos por
nenhum método). A ciência encontra-se dividida sobre
a validade de tal procedimento. A Igreja Católica se apresenta
radicalmente contrária à clonagem humana, pois fere
o sentido de identidade da pessoa como ser singular e autônomo,
criado à imagem e semelhança de Deus.
Página
IV
COMUNIDADE:
ESPAÇO E META DO(A) CRISMADO(A)
Sacramentos
XX
Ir.
Marlene Bertoldi, da Arquidiocese de Florianópolis,
escreve que um(a) jovem é crismado(a) para assumir responsabilidades
na vida e na Igreja, exigências de uma vida comunitária.
A fé do(a) cristão(ã) deve ser vivida, testemunhada
e celebrada na comunidade. O sacramento da Crisma acentua o engajamento
e a militância para uma experiência de fé concreta
e comprometida com o Projeto de Jesus Os(As) crismados(as) tem por
missão exercerem serviços nas pastorais da comunidade,
serem presença e testemunho em todos os ambientes, assumirem
compromissos com a história, com a família, com o trabalho,
com a política, com a justiça... O(A) crismado(a) torna-se
responsável por uma Igreja viva e renovada e por um mundo mais
justo e fraterno.
DINÂMICA
1) Escrever em vários cartões
palavras com funções diversas: Ex.: Medicina, cartão
de crédito, direitos humanos, jornalismo, família, natureza,
casamento, comunidade, política, cinema, sacramentos, ser cristão/ã,
música.
2) Sortear
os cartões.
3) Cada participante ou em duplas
deverão apresentar maior número de exigências
por escrito, que a Palavra recebida comporta.
4) Desenhar em forma de símbolo
a maior exigência.
5) Apresentar ao grande grupo
e este poderá completar com outras exigências não
ditas.
"UM
ESPELHO DA VIDA"
O
Salmo 133 é o único Salmo que fala sobre o amor
fraterno. Talvez inspirado por um canto sobre a vida familiar, tornou-se
o Salmo que se refere à família de Israel, reunida sobretudo
como assembléia sagrada.
SALMO
133 
Oh! como é bom, como é agradável
os irmãos viverem unidos!
É como o óleo precioso sobre a cabeça,
que escorre pela barba,
pela barba de Aarão,
descendo sobre a gola do seu manto.
É como o orvalho do Hermon,
descendo sobre os montes de Sião,
pois é lá que o Senhor dá a bênção
e a vida para sempre.
Este
Salmo compara o amor fraterno com o perfume do óleo usado
na unção sacerdotal de Aarão. (Confiram nos textos
Ex 29,7 e 30,25.30)
Outra comparação é a imagem do frescor do orvalho
que desce da alta montanha do Hermon sobre o monte do Templo, onde
se reúne a assembléia do povo.
No
Novo Testamento ouvimos São Paulo dizer que a comunidade
unida deve exalar o perfume de Cristo, testemunhando uma vida fraterna
(2 Cor 2,14-15).
Para
"rezar" este Salmo, sugerimos a presença de
um pequeno grupo fraterno, e que se prepare, de antemão, a
oração, providenciando alguns símbolos. Além
do perfume e do orvalho, a união pode ser simbolizada por alguns
gestos como: partilhar o pão, fazer um brinde com vinho, deixar
passar o chimarrão, um cafezinho para todos (ou outros, conforme
a criatividade do grupo). Para o último passo prepare-se, se
possível, incenso.
A
ordem desta pequena celebração pode ser:
1º passo:
Depois das boas vindas, ler devagar o Salmo e a explicação.
2º
passo:
Colocar-se diante de Deus-Pai como filhos, reunidos em nome de Cristo,
pela ação unificadora do Espírito. (Alguns momentos
de silêncio para se conscientizar desta presença)
3º
passo:
Expressar
a união através de um dos símbolos: o chimarrão
vai passando, ou o pão é partilhado e passado para o
outro. O perfume pode ser passado na fronte do(a) vizinho(a), o cafezinho
pode ser servido etc. (Procurem guardar o clima de oração)
4º
passo:
Compartilhar o que esses gestos dizem; quais idéias e sentimentos
suscitam.
5º
passo: Oferecer
a Deus a alegria e a gratidão pela vivência fraterna.
Queimar o incenso, sentindo assim o louvor subindo ao Pai. Elevar
os braços como gesto de louvor. Algumas pessoas podem fazer
uma oração de louvor. Ficar assim alguns instantes.
É uma oração silenciosa, mas cheia de simbolismo.
6º
passo:
Terminar com a mantra: "Onde reina o amor, fraterno amor,
onde reina o amor, Deus aí está".
(Cantar diversas vezes, sempre mais decrescendo)
Inês
Broshuis - Catequeta
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