Página I
EDITORIAL
Quando
pensamos ou vivemos o tempo do Advento, a palavra mais forte é
esperança.
Em
nosso cotidiano, a esperança se codifica nos atos que praticamos,
nas atitudes que assumimos, ou ainda nos sonhos que idealizamos concretizar.
A esperança sempre é algo que acompanha nossas
buscas, aspirações, desejos da tão sonhada felicidade.
É a esperança que impulsiona e que dá garra para
realizar o novo que traz vida.
As esperas e as esperanças estão em todas
as dimensões: pessoais, eclesiais, sociais, políticas.
O povo assim se expressa: "Se Deus quiser, amanhã será
melhor". Não podemos considerar este modo de falar como
fatalista, mas como uma forma de querer que algo melhor possa despontar.
Há
muitos sinais de esperança que podemos perceber:
. Maior consciência da dependência econômica,
política, basta pensar no forte grito contra a ALCA, com o
plesbiscito.
. Alternativas para a superação da fome e da
miséria, espírito alegre e festivo do povo, superando
seu anonimato.
. Maior consciência da dignidade humana, criando formas
para vencer o desemprego, a falta de moradia...
. Marchas contra a droga, injustiças e luta por mais
paz e segurança.
Com a celebração do Advento, podemos proclamar que o
Reino já está presente, mas ainda não plenamente.
Vivemos o tempo de gestar com mais ousadia "vida para todos".
Este é também o tempo que o Senhor nos concede:
. para rever os nossos caminhos, isto é: endireitar
os tortuosos e aplainar os mais ativos que impedem a chegada do Reino.
. para assumir uma concreta conversão, isto é,
um voltar-se para Deus e para os seus filhos, nossos irmãos.
. para perceber que o Senhor chega como libertador e seus sinais
se manifestam através dos que estendem sua mão e seu
coração na busca da dignidade humana para todos.
. para estar atentos e vigilantes para não sermos tomados
de surpresa, esquecendo-nos do essencial da vida e preenchendo nossos
vazios com um covarde consumismo, próprio deste tempo.
Maria é modelo de espera e se coloca à disposição
de Deus para que seu projeto possa acontecer.
Precisamos "engravidar" como Maria para gestar na esperança
um mundo melhor.
A Palavra de Deus nos ilumina para irmos ao encontro do Senhor,
tendo em nossa bagagem a esperança.
"Existe esperança de um futuro" (Jr 31, 17).
"Feliz quem se apóia no Deus de Jacó, quem coloca
sua esperança em Javé seu Deus" (Sl 146, 5).
"Pois, Tu, Senhor, és a minha esperança e a
minha confiança" (Sl 71, 5).
"Só em Deus, ó minha alma, repousa, porque dele
vem a minha esperança" (Sl 62, 6).
"Tu és a esperança dos confins da terra e dos
mares mais distantes" (Sl 65,6).
"A perseverança produz a fidelidade e a fidelidade
comprovada produz esperança. E a esperança não
engana, pois o amor de Deus foi derramado sobre nossos corações"
(Rm 5, 5).
Nossa plalavra de esperança é: "Vem,
Senhor Jesus". Vem conosco morar para cantarmos em festa
uma nova humanidade que "transbordará de alegria em
Javé e se regozijará com seu Deus, porque ele a vestiu
com a salvação, e cobriu-a com o manto da justiça"
(cf. Is 62, 10).
Ir.
Marlene Bertoldi
AGRADECER,
POR QUÊ?
Toda
a Bíblia está repleta de textos em que se enfoca a "ação
de graças e o louvor". Inspirando-se no Salmo
138(139), a Ir. Maria Cristofolini, irmãzinha da Imaculada
Conceição, de Florianópolis, sugere ao(à)
internauta uma excelente reflexão sobre a atitude de "agradecer"
não só a Deus, o Criador, mas a cada ser criado. Deve-se
agradecer sempre, mesmo diante dos sofrimento, mesmo quando a vida
parecer ter perdido seu sentido. Quem crê deve ter um coração
agradecido, em cada situação e momento da vida, a cada
instante e com quaisquer acompanhante.
Página II
(Bíblia)
O
EVANGELHO NÃO PODE FICAR PARADO
* Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia
em Atos dos Apóstolos - 10a. Parte *
Os
personagens desta edição são Priscila e Áquila,
Apolo, Silas e Timóteo. O professor do ITESC, Pe. Celso
Loraschi, Lages - SC, mantém sua explicação
sobre as pessoas que integraram o movimento de Jesus para construir
um mundo mais humano, acolhedor, ecumênico, com decência
e dignidade, com respeito e amor, com justiça e paz.
Priscila e Áquila é um casal que se estabeleceu
em Corinto, expulso de Roma pelo imperador Cláudio, em 49 dC.
Torna-se liderança da cidade e colaborador nas viagens missionárias
de Paulo. Seu exemplo revela características de uma Igreja
transparente, acolhedora, participativa, missionária...
Apolo
é um catequista cheio de convicção e entusiasmo.
Judeu que vivia em Éfeso, Apolo conhece Priscila e Áquila
e inicia um aprofundamento da fé cristã, chegando à
liderança de sua comunidade, e, até, comparado aos grandes
Apóstolos.
Silas e Timóteo colocaram-se à disposição
para a tarefa missionária, juntamente com
Paulo,
pois o movimento de Jesus deve ser feito em mutirão, com a
ajuda de muita gente.
Página III
CREIO
NA VIDA ETERNA
Temas como morte, vida eterna, céu, inferno... são pouco
trabalhados na catequese. D. Juventino Kestering, bispo
de Rondonópolis - MS, diz que há uma tendência
de se evitar tais assuntos. Alguns pontos são fundamentais
para a vida cristã. 1 - Maior certeza: Ressurreição:
é o fundamento da fé cristã.
A
vida não termina com a morte. A morte é o fim da vida
terrestre, é conseqüência do pecado, é transformada
por Jesus Cristo. A
catequese tem uma missão fundamental: esclarecer sobre o verdadeiro
sentido da vida, da ressurreição e da eternidade. A
catequese é anunciadora da esperança, pois sem esperança
a vida não tem rumo, nem sentido, nem respostas.
O
ABORTO, UM PROBLEMA MORAL
Pe.
Márcio B. da Silva, professor de teologia moral do
ITESC, Florianópolis - SC, direciona a reflexão sobre
moral para um problema que atinge muita gente de perto e que exige
uma tomada de posição em relação aos valores
cristãos: o aborto. Aborto é a interrupção
da gravidez quando o feto ainda não é viável.
Como problema moral, apresentam-se três posicionamentos: liberalismo
radical, pragmatismo e posicionamento da Igreja Católica. Este
último deve ser melhor esclarecido: na perspectiva cristã,
o embrião tem o valor próprio da pessoa humana; o reconhecimento
do direito de todo ser humano às mais elementares condições
de vida e à própria vida; a proteção deste
direito a viver; a defesa de uma idéia reta e responsável
da maternidade e da paternidade; o princípio ético do
médico como protetor e cuidador da vida humana; a força
da argumentação contra o aborto parte da fé na
dignidada de toda pessoa, criada à imagem e semelhança
de Deus; a importância da sociedade como promotora da vida...
Página
IV
OS
SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO
Sacramentos
XIX
Ao
se falar do Espírito Santo, toma-se como referência os
sete dons: sabedoria, inteligência, conselho, ciência,
fortaleza, piedade e temor de Deus, que têm sua inspiração
em Isaías 11,2-3 (sete na Bíblia é simbólico:
é universalidade, perfeição, totalidade). Dom
é um presente de Deus. E existem tantos outros dons, presentes,
que vêm de Deus. Em Gálatas 5,22-23, temos: amor, alegria,
paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão
e domínio de si. "Os dons são qualidades dadas
por Deus que capacitam o ser humano para seguir com gosto e facilidade
os impulsos divinos, para tomar a decisão acertada em situações
obscuras e para reprimir as forças do orgulho, do egoísmo
e da preguiça, que se opõe à graça de
Deus." Ir. Marlene Bertoldi, da Arquidiocese de
Florianópolis, reflete muito sobre a importância dos
dons do Espírito Santo, pois resumem toda a sua ação
sobre a vida das pessoas. Vale a pena o(a) internauta conferir!
Dinâmica
- Recortar um pequeno coração.
- Cada participante escreverá nos dois lados do coração
uma qualidade ou dom que possui.
- Responder individualmente:
. De onde provêm estes dons?
. Para que servem estes dons em minha vida?
. Eu os coloco a serviço de quem?
. Como os faço frutificar?
- Partilhar com alguém as perguntas.
- Colar os corações num papelógrafo e perceber
a riqueza que somos no conjunto dos dons recebidos.
- Os dons, só para si, pouco significam.
- Mas quando partilhados, significam riqueza multiplicada.
"UM
ESPELHO DA VIDA"
Talvez
estranhem termos colocado este salmo para rezar. Os salmos são
muito bonitos, mas quando chegamos aos trechos que falam sobre os
inimigos, não sabemos bem como rezar.
Já
devem ter observado que quase todos os salmos falam sobre os inimigos,
pedindo a Deus que os castigue e amaldiçoe. Para nós,
que conhecemos o ensino de Jesus de perdoar e amar o inimigo, estes
salmos podem causar problemas.
Devemos levar em conta alguns pontos para entender melhor este tipo
de salmos.
1) Os salmos são orações de um povo que
grita, chora, se exalta diante de Deus. Abrem seu coração
para Deus sem esconder nada. Protestam, se indignam, se revoltam.
Não são sempre orações bonitas como nós
costumamos fazer. Toda a vida está envolvida, com suas lutas,
seus sofrimentos, guerras...
2) É uma linguagem diferente da nossa oração
cristã conforme os ensinamentos de Jesus: não julgar,
perdoar, amar. Eles não chegaram ainda a esta nobreza de sentimentos.
(E nós?)
3) O que a gente faz quando se sente ameaçada e não
sabe a quem recorrer? Em nosso mundo atual de violência, de
assaltos e seqüestros, o que faríamos? Sendo assaltados,
nós também não gritaríamos pedindo que
Deus venha ao nosso socorro e derrube o assaltante? Os sentimentos,
naquele tempo e hoje, são os mesmos.
4) As idéias a respeito de Deus também eram diferentes
das nossas. Deus é o grande guerrilheiro que combate com seus
exércitos os inimigos. Os inimigos são, muitas vezes,
aqueles que adoram outros deuses ou que não andam conforme
a Lei. Ou aqueles que atacam em guerras e dominam a nação.
Tais pessoas são inimigos de Deus e, por isto, também
os inimigos dos que se consideram Povo de Deus. Achavam que matar
os inimigos é um bem que se faz a Deus.
SALMO
35
Ó
Senhor, acusa meus acusadores, combate os que me combatem!
Toma a armadura e o escudo e levanta-te em meu socorro!
Maneja a espada e o machado contra os meus perseguidores.
Dize à minha alma: "Eu sou a tua salvação!"
Fiquem
envergonhados e arruinados os que buscam tirar-me a vida!
Voltem-se para trás e sejam confundidos os que planejam o mal
contra mim.
Sejam como palha frente ao vento, quando o anjo do Senhor os empurrar!
Que seu caminho seja escuro e deslizante, quando o anjo do
Senhor os perseguir!
Sem motivo estenderam sua rede contra mim, abriram para mim uma cova:
Caia sobre eles um desastre imprevisto!
Sejam apanhados na rede que estenderam; caiam eles dentro da cova!
Minha
alma exultará no Senhor e se alegrará com a sua
salvação.
Todo o meu ser dirá: "Senhor, quem é igual a ti
para livrar o fraco do mais forte, o pobre e o indigente do seu explorador?"
1º
momento
Vamos ler, com atenção, o salmo; se possível,
o salmo todo como está na Bíblia.
Vamos prestar atenção aos versículos que falam
dos inimigos.
2º
momento
Quais são os versículos de que mais gostou? Por quê?
3º
momento
Como podemos rezar hoje esses salmos "vingativos"?
Nós também encontramos situações de sofrimento,
sentindo nossa incapacidade de lhes pôr termo.
1) Façamos como o salmista: Coloquemos todo nosso sofrimento
diante de Deus. Choremos, gritemos se for preciso. Deus nos escuta
e se comove conosco.
2) Deixemos o julgamento final para Deus, justo e misericordioso.
3) Em sentido simbólico, podemos dizer que os inimigos
agora são aqueles que promovem os antivalores da sociedade
e que impedem o povo de ter seus direitos respeitados. Que Deus lhes
abra a mente e os faça descobrir o caminho errado que estão
seguindo.
4) Jesus nos dá a garantia da vitória. Disse:
"Coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16,33). O cristão
participa nesta vitória sobre o mal. "Esta é a
vitória que venceu o mundo: a nossa fé" (1 Jo 5,4;
1 Jo 2,13; 4,4).
4º
momento
Vamos rezar o salmo "no plural". Onde está "eu",
falemos "nós". Coloquemo-nos junto com o povo pobre
e sofredor, com os excluídos e marginalizados e rezemos junto
com eles.
Inês
Broshuis - Catequeta
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