Página I
EDITORIAL
Este
mês o encarte, fala muito sobre a Bíblia. A descoberta
da Palavra de Deus, nestes últimos 50 anos, foi para o povo
dom e graça, mas ao mesmo tempo, hoje, representa um grande
desafio, quando sua leitura não se torna uma experiência
de vida.
Vive-se atualmente em uma cultura literária. Através
da multiplicidade dos meios de comunicação é
possível as pessoas terem acesso às notícias,
eventos, instruções, formação.... Isto
acontece com uma rapidez incrível, basta pensar na Internet.
Antigamente, decorriam anos, décadas e séculos,
antes que se pudesse ter um folheto de poucas páginas.
Assim, aconteceu com a Bíblia, que chegou até nós,
graças à capacidade de memória do povo de Deus,
que quis passar para as gerações futuras sua experiência
de vida e de fé. "O que nós ouvimos e aprendemos,
o que nos contaram nossos pais, não o esconderemos aos filhos
deles, nós o contaremos à geração futura:
os louvores de Javé, seu poder e as maravilhas que realizou"
Sl 78(77).
Atualmente, gente de todas as classes sociais busca orientação
nesta Palavra e faz dela um caminho de oração, reflexão,
inspiração para enfrentar as situações
do cotidiano.
A "Bíblia é a fonte da catequese".
Mas ela é também parte constituinte da Liturgia.
"A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como também
o próprio corpo do Senhor; sobretudo na sagrada liturgia, nunca
deixou de tomar e distribuir aos fiéis da mesa tanto da Palavra
de Deus como do corpo de Cristo, o pão da vida" (DV
21). É muito grande a importância da Sagrada Escritura
na celebração litúrgica (SC 24).
Na catequese, não pode a Palavra ser exibida apenas
como conhecimento, mas é sobretudo para ser guardada no coração.
O coração é a centralidade da vida. É
também, símbolo do amor, da misericórdia, da
disposição de servir, de colocar-se em atitude de valorização
da vida. Assim a Palavra lida na Bíblia nos propõe o
amor a Deus e ao próximo como o mandamento maior.
Ao ler a Bíblia, a catequese necessita olhar o chão
da vida do povo. Cada povo lê a Palavra a partir de suas experiências.
Estas experiências são entrelaçadas por preocupações,
crises, emoções, aspirações, sentimentos...
A realidade, hoje é cheia de contrastes e apresenta
muitos aspectos. É a partir deste chão que queremos
fazer da Palavra a grande inspiração tomando como caminho
o projeto de Deus.
A Palavra de Deus não pode apenas ser apresentada aos
jovens e crianças e restrita à formação
de catequistas e agentes de pastoral. Mas, é o livro por excelência
do povo. Daí a necessidade de uma boa interpretação
nas homilias, nos encontros, nas palestras, na elaboração
de celebrações, nos grupos de reflexão, nos grupos
de família.... O tipo de leitura bíblica que fazemos
tem influência em nosso modo de compreender Deus e de Viver
como Igreja.
É importante, também, que cada Paróquia e nela
cada pastoral, movimento, serviços e organização,
se questione:
- Realmente, a mesa da Palavra, já foi preparada e enfeitada
para saciar a fome e sede de Deus do nosso povo?
- O que falta para convidar o povo para sentar-se, ouvir e dialogar
com o Senhor, através da mesa da Palavra?
Ir.
Marlene Bertoldi
A
PALAVRA de DEUS: POR QUÊ?
"E a Palavra se fez homem e habitou entre
nós" (Jo 1, 14)
Diante
de tantos questionamentos na sociedade, homens e mulheres de fé
buscam respostas na verdadeira fonte da sabedoria, da paz, da justiça
e da solidariedade: A Palavra de Deus.
A Palavra de Deus contida na Bíblia, o livro da revelação
cristã, mostra o sonho de Deus para a humanidade. Nela, o(a)
leitor(a) percebe as motivações para transformar a realidade.
É na Palavra de Deus que a catequese encontra as principais
fontes para entusiasmar os fiéis e a educá-los na verdade.
A catequese tem por objetivo fazer escutar e ecoar a Palavra de Deus.
Sejamos coerentes com a nossa fé e busquemos na Palavra de
Deus a fundamentação para viver e assumir a fé.
Maria
Angelina da Silva - São José/SC
Página II
(Bíblia)
ANIMANDO
A IGREJA NAS CASAS
* Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia
em Atos dos Apóstolos - 8a. Parte *
A
casa de Maria, mãe de João Marcos (At 12), constitui
a estrutura de base da Igreja dos primeiros cristãos e cristãs.
Na Igreja-casa muitas mulheres exerceram e exercem uma liderança
especial.
Em nosso texto: Maria e Rosa, sua auxiliar, anunciadoras da
Boa Notícia. O exemplo destas mulheres dos Atos nos mostra
a "função social" de uma propriedade:
servir à causa da comunidade.
A casa de Cornélio, centurião romano, em Cesaréia,
é um espaço da acolhida, do diálogo e da construção
da fraternidade humana (At 10). O espaço da casa proporciona
a aproximação entre as pessoas tornando-as mais humanas,
igualitárias e fraternas.
A casa de Lídia (At 16), em Filipos, é um lugar
onde os missionários são acolhidos. Sua casa é
o centro da comunidade cristã na cidade. Esta comunidade cresceu
em quantidade e qualidade, graças à animação
de Lídia, do seu testemunho de fé e coragem, juntamente
com o das outras mulheres de Filipos.
Pe.
Celso Loraschi
pároco em Lages-SC e professor no ITESC-Florianópolis
Página III
BíBLIA
- FONTE DA CATEQUESE
A Palavra de Deus é o centro de toda ação catequética.
"A Bíblia é a primeira fonte da catequese"
(CR, número 26). Eis alguns passos para auxiliar a formação
bíblica de nossos catequistas, catequizandos e famílias:
1. Motivar catequistas catequizandos,
famílias a terem nas mãos uma Bíblia;
2. Organizar cursos
populares para clarear algumas coisas gerais da Bíblia;
3. A Palavra de Deus deve penetrar na
vida, levar a um diálogo com Deus e a um compromisso com a
realidade;
4. A Bíblia é o livro da
comunidade, por isso é importante o estudo e a leitura bíblica
em grupo;
5. A Bíblia é o livro do
Povo de Deus;
6. O uso da Bíblia na catequese
é um esforço continuado das comunidades e dos catequistas.
D.
Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis-MT
AMAR
É PRÁTICA LIBERTADORA
Sob
a ótica do cristianismo, o Amor é prática libertadora.
O amor cristão é gratuito. Segundo o documento de Puebla
(número 485), o eixo da evangelização libertadora
transforma o homem em sujeito do seu desenvolvimento individual e
comunitário. O Amor é fonte de todas as relações
humanas, as inter-pessoais e as mais abrangentes.
O testemunho de Jesus é o parâmetro para assegurar a
prática libertadora do amor em nossas relações.
Por exemplo: na parábola do filho pródigo (Lc 15) e
na do bom samaritano (Lc 10), percebe-se concretamente o que significa
amar o outro que está ao nosso lado, o nosso próximo.
Pe.
Márcio Bolda da Silva
professor de teologia moral no ITESC - Florianópolis
Página
IV
O
ESPÍRITO ESCOLHE E ENVIA
Sacramentos
XVII

"O
Espírito do Senhor
repousa sobre mim"
"O
Espírito do Senhor
me escolheu, me enviou"
Todo
sacramento carrega em si sinais, gestos, símbolos, palavras,
participantes, ministros... O sacramento da Crisma também,
é composto por sinais e gestos significativos.
Vejamos:
Símbolo: óleo
Palavras:
"Recebe, por este sinal o Espírito Santo, o dom de
Deus".
Ministrante: Bispo
Gesto: Imposição
das mãos, e a unção em forma de cruz na fronte.
Participantes: Crismandos e comunidade.
Vamos aprofundar um pouco mais os gestos simbólicos da crisma.
O sacramento da Crisma tem por gestos principais a imposição
das mãos e a unção com óleo.
A imposição das mãos tem um grande sentido bíblico:
consagração a Deus, cura e envio (Gn 48; Nm 27; Mt 9,
Mc 10, At 8). Na Crisma a imposição das mãos
dá o sentido de transmissão do Espírito de Deus
como força, coragem, sabedoria, vivência e testemunho
da fé.
A unção com óleo propõe ao crismado, à
crismada, assumir a missão de defender o direito e a justiça,
especialmente dos mais fracos e oprimidos...
Dinâmica
A casa
1. Construir aos poucos uma casa,
em forma de desenho, num quadro de giz ou em papelógrafo.
2. Cada participante será
convidado a desenhar uma parte da casa, entendo que esta casa é
a casa da fé e da vida de cada crismando. Refletir porque cada
parte da casa é importante.
3. O catequista pode traçar
somente a base e perguntará: Na base da nossa fé, a
quem colocamos? Deixar falar.
Ex.:
- base = Jesus Cristo
- pilares = Palavra de Deus, comunidade, sacramentos, Igreja...
- paredes = Participação nas celebrações,
encontros retiros...
- teto = Testemunho, luta por mais justiça...
- porta principal = Sacramento da Crisma
- dentro da casa, quem está = A quem queremos acolher?
(excluídos, sofridos...)
4. Terminada a casa, discutir:
- Quais os compromissos que precisamos assumir para manter a casa
da fé e da vida em boas condições?
5. Ao completar a casa, cada um
receberá uma vela, ao acendê-la pronunciará um
compromisso e será ungido, no sentido de que o Espírito
Santo será a grande força de poder cumprir concretamente
o empenho assumido.
Ir.
Marlene Bertoldi
coordenadora de catequese da Arquidiocese de Florianópolis
e professora no ITESC - Florianópolis
"UM
ESPELHO DA VIDA"
É
bom fazer esta reflexão em grupo
SALMO
146 (5-10)
Feliz quem recebe auxílio do Deus de Jacó,
quem espera no Senhor seu Deus,
criador do céu e a da terra,
do mar e de quanto contém.
Ele
é fiel para sempre,
faz justiça aos oprimidos,
dá alimento a quem tem fome.
O Senhor livra os prisioneiros,
devolve a vista aos cegos,
levanta quem caiu.
O Senhor ama os justos,
protege os estrangeiros,
ampara o órfão e a viúva,
mas transtorna o caminho dos ímpios.
O
Senhor reina para sempre,
o teu Deus, Sião, por todas as gerações. Aleluia.
1º momento
Vamos
ler este Salmo, bem devagar.
2º momento
Este
Salmo fala sobre a ação de Deus em favor dos mais fracos
e necessitados.
Quais são os versículos que falam sobre isto?
3º momento
Vamos
refletir um pouco:
Podemos nos perguntar: Se Deus age assim, por que há tantos
oprimidos, famintos, injustiçados, sofredores? Onde está
a ação de Deus?
Os Salmos, muitas vezes, falam sobre o apoio, o amparo
e a justiça que Deus promete. Mas isto não quer dizer
que Deus opera diretamente. Sempre, quando fala assim, é para
dizer que nós, como seu Povo, devemos agir assim em seu nome.
Deus ampara, apóia, protege os mais fracos sim, mas através
de nós. Somos, por assim dizer, os braços de Deus.
O Profeta Isaías fala claramente sobre o que
Deus espera do seu Povo.
"Acaso, o jejum que eu prefiro não será isto:
acabar com a injustiça qual corrente que se arrebenta;
acabar com a opressão qual canga que se solta; deixar livres
os oprimidos,
acabar com toda espécie de imposição?
Não será repartir tua comida com quem tem fome?
Hospedar na tua casa os pobres sem destino?
Vestir uma roupa naquele que encontras nu e jamais tentar te esconder
do pobre teu irmão?
Aí, então, qual novo amanhecer, vai brilhar a tua luz".
(Is 58,6-8a)
Jesus
diz que ele veio para cumprir esta missão: Vamos ler Lc
4,16-21.
E ele pede a mesma coisa de nós. Leiamos o capítulo
25 de Mateus.
(Tempo para ler os dois textos)
Como
podemos observar, os salmos não somente falam de amor, confiança,
repouso em Deus, mas mostram nossa missão no meio do mundo:
sermos justos e amorosos como Deus.
4º momento
Vamos
ler o Salmo de novo. Qual o versículo que mais chamou nossa
atenção?
5º momento
Quais
os apelos que este Salmo nos dirige, hoje? Como vamos mostrar o amparo
de Deus aos mais necessitados em nosso meio?
O Projeto da CNBB sobre a superação da miséria
e da fome (Documento
69) tem algo a ver com nossa reflexão. De que modo podemos
participar bem concretamente deste Projeto?
6º momento
Vamos
ficar em profundo silêncio. Que vamos dizer a Deus agora? Cada
um pode escrever uma oração. Quem quiser, pode ler depois,
em voz alta.
7º momento
Vamos
cantar: Javé, o Deus dos pobres, do povo sofredor... (ou
outro canto sobre o tema)
Inês
Broshuis - Catequeta
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