Página I
EDITORIAL
Tradicionalmente
em nossa Igreja, o mês de junho se volta para o Sagrado Coração
de Jesus.
Devoção esta, muito antiga, nascida na França
por volta do ano 1673, através das aparições
de Jesus à religiosa Margarida Maria Alacoque. A devoção
ao Coração de Jesus foi o símbolo mais expressivo
do catolicismo romanizado. Os veículos da difusão
desta devoção foram estampas, imagens, orações,
cânticos, folhetos..., através do Apostolado da Oração
e da Liga do Sagrado Coração de Jesus. A prática
mais enfatizada era a devoção da comunhão reparadora,
em nove primeiras sextas-feiras.
Esta devoção ganhou espaços largos no
século 19 que se difundiu nas camadas populares. Ser devoto
do Coração de Jesus passou a constituir uma característica
do bom cristão, assumindo este culto o cunho da humanidade
misericordiosa de Jesus.
Hoje precisamos nos perguntar: Quem é Jesus para nós?
Jesus também, interrogou os seus discípulos: "Quem
dizem os homens que é o Filho do Homem?" (Mt 16, 13).
As respostas foram várias. Porém ao fazer a mesma
pergunta aos seus companheiros de estrada, Jesus teve uma resposta
de Pedro, convicta de fé e confiança. "Tu és
o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16, 16). Podemos dizer
que amamos o que conhecemos e seguimos também a quem amamos.
No processo da fé vemos muitos cristãos sacramentalizados,
mas com pouca repercussão na vida prática. O que falta
é uma verdadeira adesão, conversão e seguimento
a Jesus Cristo, e como conseqüência comprometer-se com
o seu projeto, de amor, justiça, fraternidade, transformando
as comunidades, em comunidades de acolhida, igualdade, respeito, aceitação
do diferente...
Para isso, é preciso assumir a misericórdia que vem
do coração de Jesus.
Nas
Escrituras, sobretudo em Oséias e Isaías a palavra
misericórdia significa dar o coração aos necessitados,
assumindo a sua causa.
Jesus é a revelação da misericórdia do
Pai. Portanto, sua prática é movida pelo coração.
Compadece-se da multidão, porque a vê como um rebanho
sem pastor (Mt 9, 36).
Olhando a prática de Jesus podemos nos espelhar para
um assumir concreto. Ia ao encontro do povo. Visitava as pessoas em
suas casas e lugares de trabalho. Entrava nas casas para curar doentes,
(Lc 4, 39-42) para tomar refeições, (Lc 7, 36; Lc 11,
37) para partilhar a amizade e sonhos bonitos do Reino de Deus (Lc
10, 38-42). Visitava sem preconceito, pecadores, e impuros... Valorizando
tudo de bom que encontrava: acolhida, conversão, alimento,
festa...
Jesus usa o método do questionamento fazendo os adultos refletirem
suas atitudes e ações. Foi assim que vez com o doutor
da lei: "Na sua opinião, qual dos três foi o próximo
do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" (Lc 11, 36).
A Catequese é Cristocêntrica, isto é, todo
o conteúdo e vivência gira ao redor da pessoa de Jesus
Cristo. Ele é "a chave, o centro e o fim do homem e da
mulher, bem como de toda a história humana" (GS 10). A
adesão à sua pessoa e à sua missão, e
não só a um núcleo de verdades, é a referência
central de toda a Catequese (EM 22).
Cabe a todos nós catequistas fazer o itinerário do Evangelho:
adesão, conversão e seguimento de Jesus Cristo.
Ir.
Marlene Bertoldi
FORMAÇÃO
PERMANENTE. POR QUÊ?
Vivemos numa sociedade marcada pelos avanços científicos
e tecnológicos. O que era novidade ontem, hoje já está
sendo superado.
A partir desta constatação, Maria Angelina da
Silva, Agente de pastoral da comunidade de N. Sra. Aparecida,
Roçado, São José - SC, ex-coordenadora de catequese
da Arquidiocese de Florianópolis, esclarece a necessidade urgente
da formação continuada, permanente, organizada do(a)
batizado(a), especialmente do(a) catequista. Diante da oferta de tantas
informações, algumas das quais inferiorizam a pessoa,
as lideranças das comunidades precisam tomar consciência
da necessidade de uma formação permanente para se viver
os valores cristãos na sociedade. A formação
deve ser um empenho pessoal e comunitário do(a) cristão(ã),
e uma exigência contínua para a sua vivência de
fé.
Página
II (Bíblia)
AS
VIÚVAS e OS SETE DIÁCONOS
* O dever de comprometer-se uns com os outros
- Atos dos Apóstolos - 5a. Parte *
Vale a pena ler e conferir o que o Pe. Celso Loraschi,
pároco em Lages e professor do ITESC, escreve nesta página
bíblica a respeito do atendimento às viúvas pelos
primeiros diáconos nos primórdios do cristianismo.
Ao ler At 6, 1-7, percebe-se que as mulheres viúvas em questão
não se conformam com o abandono proporcionado pelo sistema
da época e, aí, iniciam um movimento de contestação
e exigência pela dignidade humana, satisfação
das suas necessidades na comunidade cristã. Para atendê-las
escolhem-se pessoas de boa reputação, repletas do Espírito
e de sabedoria, isto é, instituem-se novos ministérios
na comunidade. É verdade, caro(a) internauta, o movimento de
Jesus não para: cresce e se espalha na sociedade, cultiva
a solidariedade, propõe a mensagem do Mestre mesmo diante das
perseguições e mortes...
Página
III
QUAL
A MELHOR IDADE?
Qual
é a idade ideal para se iniciar a catequese? Diante
de opiniões diversificadas na comunidade, uma coordenadora
de catequese solicita esclarecimento de D. Juventino Kestering,
catequeta e bispo de Rondonópolis-MT.
Não existe idade para iniciar a catequese. A catequese é
um processo que vai do nascimento até
o final da vida. Porém, a questão levantada, infelizmente,
refere-se à idade para se começar a catequese sacramental,
especificamente para a 1a. comunhão.

O critério da idade deve ser secundário. Em primeiro
lugar tem-se que considerar a experiência de fé e a iniciação
à vida comunitária realizada pela criança ou
adolescente, incentivada(o) por sua família. Mais do que idade,
deve-se discutir e insistir pela iniciação cristã,
na leitura da Bíblia, na experiência e vivência
comunitária, na prática da solidariedade, justiça
e partilha...
UMA
QUESTÃO DE "ESTILO DE VIDA"?
O
Pe. Márcio Bolda da Silva, professor de teologia
moral no ITESC, orienta os(as) catequistas para que despertem a consciência
das crianças e dos jovens para os grandes valores, os únicos
que têm o poder de construir a "nova criatura",
a nova humanidade, a nova terra... Isto se oportuniza, deduzindo que
a ética de Jesus é a ética do seguimento; ética
de fazer uma opção pelo estilo de vida de Jesus. O estilo
de vida do Cristo é a busca contínua do dar sentido
mais profundo à existência humana. É o modo de
vida alicerçado nos valores que duram para sempre: Deus, fonte
de todo bem. Jesus é o modelo a ser seguido. Nele a moral cristã
encontra seus fortes valores que enchem a alma de sentido e de esperança,
em vista da construção do Reino de Deus.
Página
IV
VALIDADE
OU NÃO DO BATISMO
Sacramentos
XIV
A
partir da orientação dada pela CNBB, em seu subsídio
"Estudos da CNBB, número 21", a Ir.
Marlene Bertoldi, coordenadora de catequese da Arquidiocese
de Florianópolis, lista algumas condições quanto
à validade dos batizados ministrados por diversas Igrejas Cristãs;
a reserva quanto ao rito batismal de outras; à dúvida
quanto à administração do batismo de terceiras;
e a invalidade do batismo de algumas. Por sua vez, a mesma coordenadora
descreve sobre a autoridade de quem ministra o sacramento: diácono,
padre, bispo; a comunidade-Igreja.
- - - - - - - - - - - /* -*
-*/- - - - - - - - - -
E,
mais uma vez, incentivando o(a) internauta a tomar integralmente o
Encarte "Catequese Caminhando", lê-lo para dele tirar
proveito, concluímos a coluna da catequeta
Inês
Broshuis:
"UM
ESPELHO DA VIDA"
O
salmista fez uma profunda experiência de Deus. Foi mais uma
experiência da ausência de Deus. Ele se sentia como uma
terra seca, sem água, com sede insaciável de Deus. O
salmo 63 é uma grande
exclamação desta sede, e da sua confiança em
Deus.
SALMO
63 (1-9)
Ó
Deus, tu és o meu Deus,
desde a aurora te procuro.
De ti tem sede a minha alma,
aspira por ti minha carne,
como terra deserta, seca, sem água.
Assim
no santuário te busquei,
para contemplar teu poder e tua glória,
Pois tua graça vale mais que a vida,
meus lábios proclamarão o teu louvor.
Assim te bendirei enquanto eu for vivo,
no teu nome eu erguerei minhas mãos.
Eu
me saciarei como num farto banquete
e com vozes de alegria te louvará minha boca.
No meu leito te recordo,
penso em ti nas vigílias noturnas,
pois tu foste meu auxílio;
exulto de alegria à sombra de tuas asas.
A ti está ligada a minha alma,
a tua mão direita me sustenta.
(Para
ajudar na reflexão, pode-se colocar uma jarra de vidro com
água)
1º momento
1. Você sente, às vezes, essa sede de Deus? Quando?
Como?
2. De que modo você sacia essa sede?
2º momento - Leia devagar
o salmo todo.
Deixe penetrar todo esse desejo de Deus em você e faça
suas as exclamações do salmista.
Fique bastante tempo nisto. Não se preocupe com o tempo.
Repita, bem devagar, se possível em voz alta, algum versículo
que lhe toca mais. Repita-o mais vezes.
3º momento - Na Bíblia,
se lê que Deus se faz experimentar sempre em vista de uma função
junto ao seu Povo.
Deus sempre "envia". Verifique isto em Ex 3,1-10 e Jr 1,4ss.
4º momento - A experiência
de Deus leva sempre a algum compromisso.
Onde experimentar Deus, hoje? Só na oração, ou
na vida concreta, na convivência com as pessoas, no encontro
com alguém, num apelo que chega até mim, numa situação
difícil de enfrentar...?
Precisa-se ficar atento, porque Deus passa no momento que menos esperamos.
5º momento - Faça
uma oração espontânea pedindo luz para enxergar
o apelo de Deus e a força para responder.
6º momento - Escolha um versículo
do Salmo para acompanhá-lo durante o dia.
(Se
fizerem a reflexão com mais pessoas, podem dar-se mutuamente
da água para beber)
Gostaria
de assinar o Encarte Catequético