Internauta veja a síntese do encarte do mês de junho de 2002. Aproveite!

Página I
EDITORIAL
Tradicionalmente em nossa Igreja, o mês de junho se volta para o Sagrado Coração de Jesus.
Devoção esta, muito antiga, nascida na França por volta do ano 1673, através das aparições de Jesus à religiosa Margarida Maria Alacoque. A devoção ao Coração de Jesus foi o símbolo mais expressivo do catolicismo romanizado. Os veículos da difusão desta devoção foram estampas, imagens, orações, cânticos, folhetos..., através do Apostolado da Oração e da Liga do Sagrado Coração de Jesus. A prática mais enfatizada era a devoção da comunhão reparadora, em nove primeiras sextas-feiras.
Esta devoção ganhou espaços largos no século 19 que se difundiu nas camadas populares. Ser devoto do Coração de Jesus passou a constituir uma característica do bom cristão, assumindo este culto o cunho da humanidade misericordiosa de Jesus.
Hoje precisamos nos perguntar: Quem é Jesus para nós?
Jesus também, interrogou os seus discípulos: "Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?" (Mt 16, 13).
As respostas foram várias. Porém ao fazer a mesma pergunta aos seus companheiros de estrada, Jesus teve uma resposta de Pedro, convicta de fé e confiança. "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16, 16). Podemos dizer que amamos o que conhecemos e seguimos também a quem amamos.
No processo da fé vemos muitos cristãos sacramentalizados, mas com pouca repercussão na vida prática. O que falta é uma verdadeira adesão, conversão e seguimento a Jesus Cristo, e como conseqüência comprometer-se com o seu projeto, de amor, justiça, fraternidade, transformando as comunidades, em comunidades de acolhida, igualdade, respeito, aceitação do diferente...
Para isso, é preciso assumir a misericórdia que vem do coração de Jesus.
Nas Escrituras, sobretudo em Oséias e Isaías a palavra misericórdia significa dar o coração aos necessitados, assumindo a sua causa.
Jesus é a revelação da misericórdia do Pai. Portanto, sua prática é movida pelo coração. Compadece-se da multidão, porque a vê como um rebanho sem pastor (Mt 9, 36).
Olhando a prática de Jesus podemos nos espelhar para um assumir concreto. Ia ao encontro do povo. Visitava as pessoas em suas casas e lugares de trabalho. Entrava nas casas para curar doentes, (Lc 4, 39-42) para tomar refeições, (Lc 7, 36; Lc 11, 37) para partilhar a amizade e sonhos bonitos do Reino de Deus (Lc 10, 38-42). Visitava sem preconceito, pecadores, e impuros... Valorizando tudo de bom que encontrava: acolhida, conversão, alimento, festa...
Jesus usa o método do questionamento fazendo os adultos refletirem suas atitudes e ações. Foi assim que vez com o doutor da lei: "Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" (Lc 11, 36).
A Catequese é Cristocêntrica, isto é, todo o conteúdo e vivência gira ao redor da pessoa de Jesus Cristo. Ele é "a chave, o centro e o fim do homem e da mulher, bem como de toda a história humana" (GS 10). A adesão à sua pessoa e à sua missão, e não só a um núcleo de verdades, é a referência central de toda a Catequese (EM 22).
Cabe a todos nós catequistas fazer o itinerário do Evangelho: adesão, conversão e seguimento de Jesus Cristo.

Ir. Marlene Bertoldi

FORMAÇÃO PERMANENTE. POR QUÊ?

Vivemos numa sociedade marcada pelos avanços científicos e tecnológicos. O que era novidade ontem, hoje já está sendo superado.
A partir desta constatação, Maria Angelina da Silva, Agente de pastoral da comunidade de N. Sra. Aparecida, Roçado, São José - SC, ex-coordenadora de catequese da Arquidiocese de Florianópolis, esclarece a necessidade urgente da formação continuada, permanente, organizada do(a) batizado(a), especialmente do(a) catequista. Diante da oferta de tantas informações, algumas das quais inferiorizam a pessoa, as lideranças das comunidades precisam tomar consciência da necessidade de uma formação permanente para se viver os valores cristãos na sociedade. A formação deve ser um empenho pessoal e comunitário do(a) cristão(ã), e uma exigência contínua para a sua vivência de fé.

Página II (Bíblia)

AS VIÚVAS e OS SETE DIÁCONOS
* O dever de comprometer-se uns com os outros - Atos dos Apóstolos - 5a. Parte *

Vale a pena ler e conferir o que o Pe. Celso Loraschi, pároco em Lages e professor do ITESC, escreve nesta página bíblica a respeito do atendimento às viúvas pelos primeiros diáconos nos primórdios do cristianismo.
Ao ler At 6, 1-7, percebe-se que as mulheres viúvas em questão não se conformam com o abandono proporcionado pelo sistema da época e, aí, iniciam um movimento de contestação e exigência pela dignidade humana, satisfação das suas necessidades na comunidade cristã. Para atendê-las escolhem-se pessoas de boa reputação, repletas do Espírito e de sabedoria, isto é, instituem-se novos ministérios na comunidade. É verdade, caro(a) internauta, o movimento de Jesus não para: cresce e se espalha na sociedade, cultiva a solidariedade, propõe a mensagem do Mestre mesmo diante das perseguições e mortes...

Página III

QUAL A MELHOR IDADE?
Qual é a idade ideal para se iniciar a catequese? Diante de opiniões diversificadas na comunidade, uma coordenadora de catequese solicita esclarecimento de D. Juventino Kestering, catequeta e bispo de Rondonópolis-MT.

Não existe idade para iniciar a catequese. A catequese é um processo que vai do nascimento
até o final da vida. Porém, a questão levantada, infelizmente, refere-se à idade para se começar a catequese sacramental, especificamente para a 1a. comunhão.

O critério da idade deve ser secundário. Em primeiro lugar tem-se que considerar a experiência de fé e a iniciação à vida comunitária realizada pela criança ou adolescente, incentivada(o) por sua família. Mais do que idade, deve-se discutir e insistir pela iniciação cristã, na leitura da Bíblia, na experiência e vivência comunitária, na prática da solidariedade, justiça e partilha...

UMA QUESTÃO DE "ESTILO DE VIDA"?

O Pe. Márcio Bolda da Silva, professor de teologia moral no ITESC, orienta os(as) catequistas para que despertem a consciência das crianças e dos jovens para os grandes valores, os únicos que têm o poder de construir a "nova criatura", a nova humanidade, a nova terra... Isto se oportuniza, deduzindo que a ética de Jesus é a ética do seguimento; ética de fazer uma opção pelo estilo de vida de Jesus. O estilo de vida do Cristo é a busca contínua do dar sentido mais profundo à existência humana. É o modo de vida alicerçado nos valores que duram para sempre: Deus, fonte de todo bem. Jesus é o modelo a ser seguido. Nele a moral cristã encontra seus fortes valores que enchem a alma de sentido e de esperança, em vista da construção do Reino de Deus.

Página IV

VALIDADE OU NÃO DO BATISMO
Sacramentos XIV

A partir da orientação dada pela CNBB, em seu subsídio "Estudos da CNBB, número 21", a Ir. Marlene Bertoldi, coordenadora de catequese da Arquidiocese de Florianópolis, lista algumas condições quanto à validade dos batizados ministrados por diversas Igrejas Cristãs; a reserva quanto ao rito batismal de outras; à dúvida quanto à administração do batismo de terceiras; e a invalidade do batismo de algumas. Por sua vez, a mesma coordenadora descreve sobre a autoridade de quem ministra o sacramento: diácono, padre, bispo; a comunidade-Igreja.

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E, mais uma vez, incentivando o(a) internauta a tomar integralmente o Encarte "Catequese Caminhando", lê-lo para dele tirar proveito, concluímos a coluna da catequeta Inês Broshuis:

"UM ESPELHO DA VIDA"

O salmista fez uma profunda experiência de Deus. Foi mais uma experiência da ausência de Deus. Ele se sentia como uma terra seca, sem água, com sede insaciável de Deus. O salmo 63 é uma grande exclamação desta sede, e da sua confiança em Deus.


SALMO 63 (1-9)

Ó Deus, tu és o meu Deus,
desde a aurora te procuro.
De ti tem sede a minha alma,
aspira por ti minha carne,
como terra deserta, seca, sem água.

Assim no santuário te busquei,
para contemplar teu poder e tua glória,
Pois tua graça vale mais que a vida,
meus lábios proclamarão o teu louvor.
Assim te bendirei enquanto eu for vivo,
no teu nome eu erguerei minhas mãos.

Eu me saciarei como num farto banquete
e com vozes de alegria te louvará minha boca.
No meu leito te recordo,
penso em ti nas vigílias noturnas,
pois tu foste meu auxílio;
exulto de alegria à sombra de tuas asas.
A ti está ligada a minha alma,
a tua mão direita me sustenta.
(Para ajudar na reflexão, pode-se colocar uma jarra de vidro com água)
1º momento
1. Você sente, às vezes, essa sede de Deus? Quando? Como?
2. De que modo você sacia essa sede?
2º momento - Leia devagar o salmo todo.
Deixe penetrar todo esse desejo de Deus em você e faça suas as exclamações do salmista.
Fique bastante tempo nisto. Não se preocupe com o tempo.
Repita, bem devagar, se possível em voz alta, algum versículo que lhe toca mais. Repita-o mais vezes.
3º momento - Na Bíblia, se lê que Deus se faz experimentar sempre em vista de uma função junto ao seu Povo.
Deus sempre "envia". Verifique isto em Ex 3,1-10 e Jr 1,4ss.
4º momento - A experiência de Deus leva sempre a algum compromisso.
Onde experimentar Deus, hoje? Só na oração, ou na vida concreta, na convivência com as pessoas, no encontro com alguém, num apelo que chega até mim, numa situação difícil de enfrentar...?
Precisa-se ficar atento, porque Deus passa no momento que menos esperamos.
5º momento - Faça uma oração espontânea pedindo luz para enxergar o apelo de Deus e a força para responder.
6º momento - Escolha um versículo do Salmo para acompanhá-lo durante o dia.

(Se fizerem a reflexão com mais pessoas, podem dar-se mutuamente da água para beber)


Gostaria de assinar o Encarte Catequético

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