Página I
EDITORIAL
Já
estamos em plena quaresma. Tempo de fazer "caminho" com Jesus, para
chegar à Ressurreição. Fazer caminho significa conversão e
seguimento. A quaresma sempre nos propõe a olhar os gestos de Jesus
e para uma verdadeira conversão.
O que significa converter-se num mundo que nos propõe todas
as facilidades para viver globalmente o individualismo?
Jesus ao percorrer o caminho da cruz não pensa nele, nas suas
dores, mas nas dores de tantos crucificados como Ele, que buscam a
Ressurreição. A cruz é sinal de conversão, mudança, transformação
para a conquista de mais vida.
Páscoa é passar de uma vida centrada sobre nos mesmos, sobre
o nosso egoísmo, para uma vida solidária com os muitos irmãos marginalizados
em nossa sociedade. Portanto, o anúncio cristão não pára na cruz.
No meio de nós está presente Jesus, o Ressuscitado, o Deus vivo. Antes
de tomar o caminho da cruz, Jesus nos apresenta uma proposta de vida,
que é um programa de conversão: o lava-pés. O lava-pés traduz
toda a vida de Jesus: o amor. "Ele, que tinha amado os seus que estavam
no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13, 1) ou seja até as últimas conseqüências
do gesto de amar, isto é, até a cruz: "Tudo está realizado" (Jo 19,30).
Vamos acompanhar os gestos praticados por Jesus no lava-pés (Jo
13, 4-11). Este aconteceu numa refeição. Estar ao redor de
uma mesa é sentar-se e partilhar as alegrias, as angústias, as emoções...,
também algo para comer.
- Jesus levantou-se da mesa. Ele nos diz que é preciso sair
do nosso egoísmo, mobilizar-se, ir ao encontro dos outros.
-
Tirou o manto. Jesus se esvazia de si mesmo e coloca-se na condição
de servo. Ele nos ensina sobre a necessidade de despojar-se de tudo
o que divide, dos fechamentos, das barreiras, dos medos, das inseguranças,
que nos bloqueiam na prática do bem.
- Pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Jesus põe o avental
para servir. "Aquele que era de condição divina, humilhou-se a si
mesmo" (Fl 2, 6-8). Ele nos propõe o uso do avental do servir na disponibilidade,
e na generosidade, e ainda do comprometer-se com os mais necessitados
e colocar-se em último lugar.
- Colocou água na bacia. Jesus usa instrumentos da cultura
do povo: água e bacia. Repete um gesto que era feito pelos escravos
ou pelas mulheres. Ele quer nos dizer que para anunciar sua proposta
é preciso entender, conhecer, assumir o que o povo vive, sofre, sonha...
- E começou a lavar os pés dos discípulos. Para lavar os pés
Jesus se inclina, olha, percebe e acolhe a reação de cada discípulo.
Com o lavar os pés, Jesus nos compromete a acolher os outros com alegria,
sem discriminações, a escutar com paciência, a partilhar os nossos
dons...
- Enxugando com a toalha que tinha na cintura. Jesus enxuga
os pés calejados, rudes e descalços de seus discípulos. São muitos
os gestos que Jesus nos convida a praticar para amenizar os calos
das dores de tantos irmãos: visita a doentes e idosos, organizar-se
para atender crianças de rua, uma palavra de ânimo a aidéticos, valorização
de nossos irmãos indígenas...
Diante
da prática de Jesus podemos nos perguntar:
Quais os gestos concretos que nós como cristãos/ãs e catequistas,
vamos assumir? Será que esta Páscoa pode ser igual a outras tantas?
Queremos ser a Igreja do avental, que se coloca a serviço na defesa
dos que mais sofrem, dos que não têm defesa. Vamos com coragem vestir
o avental do servir na alegria e testemunhar todos os gestos praticados
por Jesus. Só assim poderemos realizar sempre a festa da Ressurreição.
Feliz Páscoa!
Ir.
Marlene Bertoldi
PÁSCOA
SIM! MORTE NÃO!
Se Cristo não tivesse ressuscitado, seriam vazias a nossa pregação
e a nossa fé
(1Cor 15, 14).
Está-se
numa sociedade em que a vida vale muito pouco! Pe. Vitor Feller,
coordenador arquidiocesano de Pastoral (Florianópolis), faz-nos
refletir que, apesar dos instrumentos fatais do poder da morte, existe
um sentido pleno da vida: Páscoa!
Quando
falamos de Páscoa, falamos de vida, de justiça, de fraternidade.
Viver a Páscoa é promover passagens: do egoísmo
para a solidariedade, da exclusão para a cidadania. Comemorar
a Páscoa é lutar pelo sonho de uma vida feliz já
neste mundo. Festejar a Páscoa é empenhar-se pelo sonho
da vida eterna, da vida plena com Deus e com os irmãos e irmãs...
Página II
(Bíblia)
JOSÉ
BARNABÉ E OS JOVENS
* Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia
em Atos dos Apóstolos (2a. parte)*
José Barnabé, levita, nascido em Chipre, é o
personagem em Atos dos Apóstolos que entrou no Caminho para
dar testemunho de fé. Pe. Celso Loraschi, professor
do ITESC, presenteia o(a) caro(a) internauta com a bela biografia
de José Barnabé que, ao testemunhar o seguimento de
Jesus Cristo, vende seus bens e os coloca à disposição
da comunidade.
Pe. Celso ainda menciona a participação dos jovens,
o novo modo de ser e de agir dos(as) seguidores(as) de Jesus. Estes(as)
antecipam o futuro. A nova sociedade acontece agora, com atitudes
concretas e corajosas. Portanto, entrar no caminho de Jesus é
dispor-se ao novo, à partilha, à inserção,
mesmo na convivência dos conflitos.
Página
III
DÚVIDAS
- ESPAÇO - DIÁLOGO
Catequese
"COM ADULTOS" ou Catequese "DE ADULTOS"?
D. Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis-MT
e catequeta, procura responder à questão surgida num
encontro de catequistas. Afinal, é catequese "com"
adultos ou "de" adultos?
Os documentos da Igreja mencionam "Catequese de adultos",
expressando um modelo de catequese que revela a relação
de catequistas com catequizandos, sejam adultos ou crianças.
Contudo,
a expressão "Catequese com adultos" é
o desafio para que a própria Catequese seja adulta, isto
é, que desafie modificar os nossos métodos e acolha
o adulto na sua situação e necessidade. É uma
novidade, pois muda o enfoque da catequese infanto-juvenil para os
adultos. Estes não são "só" destinatários,
mas pessoas que procuram o aprofundamento da fé e a caminhada
de cristãos na comunidade.
DE
QUE TRATA A MORAL?
O
sentido de Ética ou Moral só pode ser captado e definido
em relação aos comportamentos, às ações,
às práticas, aos atos que se realiza. O objeto característico
da experiência moral é a ação, o
agir humano.
Pe. Márcio Bolda da Silva, professor
de filosofia e teologia, explica aos leitores do "Encarte"
que a diversidade de ações e comprotamentos têm
relação estreita e vinculante com a Moral. Isto porque
a consciência humana é capaz de avaliar e julgar as ações
humanas. E é concreto: julga-se o comportamento humano se está
certo ou errado, honesto ou desonesto, justo ou injusto... Esta intuição
da consciência leva à questão central da moral:
O que é o "bem"? O que
é ter um "bom" comportamento? O que é uma
conduta "exemplar"?
Página
IV
Sacramentos
(XI)
A FORÇA DOS UNGIDOS NO BATISMO
A
Ir. Marlene Bertoldi, coordenadora de catequese (Florianópolis)
utiliza-se da página final do "Encarte" para focalizar
a importância e a função do óleo
no Batismo.
DINÂMICA
1
- Colocar
diante do grupo diferentes tipos de óleo (óleo perfumado, azeite,
óleo para proteção do sol, óleo como remédio, óleo para máquinas,
óleo para móveis...)
2 - Distribuir os tipos de óleo
para cada grupo para realizar uma pequena encenação. Ex.: O azeite
- derramá-lo sobre uma verdura preparada. O óleo como remédio, uma
enfermeira poderá fazer uma massagem...
PROVOCANDO UMA CONVERSA:
- Por que o óleo é tão importante?
- Qual a relação entre Batismo e Unção com óleo do santo crisma?
- O que significa ser ungido?
O
batizado é ungido com óleo para uma missão; unção
esta realizada com a força do Espírito Santo. O óleo
no batismo significa resistência. É sinal de consagração
ao amor infinito de Deus e de seguimento à Jesus Cristo.
O(A) batizado(a) é ungido(a) para fazer este mundo melhor.

DINÂMICA
-
Preparar uma mesa, colocando a Bíblia, cruz, flores, óleo perfumado.
- Usar o óleo perfumado e apresentá-lo ao grupo.
De dois a dois vão conversar:
Qual
é o efeito do óleo perfumado?
Quais as atitudes que nos fazem ser o bom perfume no meio da comunidade?
- Após a partilha, fazer uns minutos de silêncio e cada um de forma
individual pensará um compromisso, expressando "o ser o bom
perfume".
- No final: cada um se apresenta diante do catequista, ou animador,
ou o sacerdote para ser ungido, na fronte, nas mãos, e nos pés, enquanto
pronuncia seu compromisso.
"UM ESPELHO DA VIDA"
A escritora e catequeta Inês Broshuis, propõe
um momento de leitura orante, a partir do Salmo 98, para o tempo Pascal.
Aproveite!
Todos
os instrumentos musicais devem entrar neste canto. Até a natureza
é convidada: o mar, os rios, as montanhas, o mundo inteiro. A glória
do Senhor é cantada no Templo e no universo!
Neste tempo pascal, agradecemos a Deus a maravilha da ressurreição
de Jesus e, com isto, nossa ressurreição junto com ele: vida nova,
vida eterna que nos foi concedida no Batismo.
SALMO
98
Cantai ao Senhor um cântico novo,
pois ele fez maravilhas.
Deu-lhe vitória sua mão direita e seu braço santo.
O Senhor manifestou sua salvação,
aos olhos dos povos revelou sua justiça.
Lembrou-se do seu amor e da fidelidade à casa de Israel.
Todos os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai
ao Senhor, terra inteira,
gritai e exultai cantando hinos.
Cantai ao Senhor com a harpa,
com a harpa e com o som dos instrumentos;
com a trombeta e ao som da corneta exultai diante do rei, o Senhor.
Ressoe o mar e o que ele encerra,
o mundo e seus habitantes.
Os rios batam palmas,
juntas exultam as montanhas diante do Senhor,
pois ele vem, pois ele vem julgar a terra.
Julgará o mundo com justiça e os povos com retidão.
O salmo 98 é um salmo de gratidão e louvor pela maravilha
da salvação que Deus operou para seu povo.
1º momento: Procure um lugar tranqüilo.
Faça silêncio interior profundo. Abra-se à ação do Espírito Santo
com uma pequena invocação. Leia, devagar, o salmo todo.
2º momento: O salmo inspira louvor
e gratidão pelas maravilhas que o Senhor tem feito para mim... para
os outros... Quais são estas maravilhas? Procure lembrar algumas...
Repita alguns versículos do salmo que expressam sua gratidão e louvor.
Repita este versículo três vezes, bem devagar, em voz alta se puder.
3º momento: A ressurreição é o
grande gesto de salvação que Deus fez ao seu Filho Jesus. Ele o oferece
também a nós... a mim... Pela fé em Jesus, pela graça de Deus, a vida
eterna já está presente em mim... Diga a si mesma(o): "Estou salvo(a);
o amor de Deus me envolve e penetra." Repita-o devagar, algumas vezes.
Se, neste momento, sentir-se atraído(a) a um profundo silêncio, fique
assim sem se preocupar com o tempo.
4º momento: A Palavra de Deus
me compromete. Como este salmo me leva até meus irmãos, a minha comunidade,
ao mundo que me cerca? Onde se precisa mais de "ressurreição"? Como
posso irradiar a vida nova concretamente? Expresse seu propósito numa
pequena oração.
5º momento:
Qual versículo deste salmo vai me acompanhar hoje?
Escreva-o e o leve consigo para rezá-lo durante o dia.
(Obs. Pode-se fazer esta oração, e outras que seguirão,
com mais pessoas, respeitando, porém, os momentos de silêncio e de
oração pessoal.)
Gostaria
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