Esta breve síntese que segue lhe antecipará o que o encarte do mês de março de 2002 traz para você catequista.

Página I

EDITORIAL
Já estamos em plena quaresma. Tempo de fazer "caminho" com Jesus, para chegar à Ressurreição. Fazer caminho significa conversão e seguimento. A quaresma sempre nos propõe a olhar os gestos de Jesus e para uma verdadeira conversão.
O que significa converter-se num mundo que nos propõe todas as facilidades para viver globalmente o individualismo?
Jesus ao percorrer o caminho da cruz não pensa nele, nas suas dores, mas nas dores de tantos crucificados como Ele, que buscam a Ressurreição. A cruz é sinal de conversão, mudança, transformação para a conquista de mais vida.
Páscoa é passar de uma vida centrada sobre nos mesmos, sobre o nosso egoísmo, para uma vida solidária com os muitos irmãos marginalizados em nossa sociedade. Portanto, o anúncio cristão não pára na cruz. No meio de nós está presente Jesus, o Ressuscitado, o Deus vivo. Antes de tomar o caminho da cruz, Jesus nos apresenta uma proposta de vida, que é um programa de conversão: o lava-pés. O lava-pés traduz toda a vida de Jesus: o amor. "Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13, 1) ou seja até as últimas conseqüências do gesto de amar, isto é, até a cruz: "Tudo está realizado" (Jo 19,30).
Vamos acompanhar os gestos praticados por Jesus no lava-pés (Jo 13, 4-11). Este aconteceu numa refeição. Estar ao redor de uma mesa é sentar-se e partilhar as alegrias, as angústias, as emoções..., também algo para comer.
- Jesus levantou-se da mesa. Ele nos diz que é preciso sair do nosso egoísmo, mobilizar-se, ir ao encontro dos outros.
- Tirou o manto. Jesus se esvazia de si mesmo e coloca-se na condição de servo. Ele nos ensina sobre a necessidade de despojar-se de tudo o que divide, dos fechamentos, das barreiras, dos medos, das inseguranças, que nos bloqueiam na prática do bem.
- Pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Jesus põe o avental para servir. "Aquele que era de condição divina, humilhou-se a si mesmo" (Fl 2, 6-8). Ele nos propõe o uso do avental do servir na disponibilidade, e na generosidade, e ainda do comprometer-se com os mais necessitados e colocar-se em último lugar.
- Colocou água na bacia. Jesus usa instrumentos da cultura do povo: água e bacia. Repete um gesto que era feito pelos escravos ou pelas mulheres. Ele quer nos dizer que para anunciar sua proposta é preciso entender, conhecer, assumir o que o povo vive, sofre, sonha...
- E começou a lavar os pés dos discípulos. Para lavar os pés Jesus se inclina, olha, percebe e acolhe a reação de cada discípulo. Com o lavar os pés, Jesus nos compromete a acolher os outros com alegria, sem discriminações, a escutar com paciência, a partilhar os nossos dons...
- Enxugando com a toalha que tinha na cintura. Jesus enxuga os pés calejados, rudes e descalços de seus discípulos. São muitos os gestos que Jesus nos convida a praticar para amenizar os calos das dores de tantos irmãos: visita a doentes e idosos, organizar-se para atender crianças de rua, uma palavra de ânimo a aidéticos, valorização de nossos irmãos indígenas...

Diante da prática de Jesus podemos nos perguntar:
Quais os gestos concretos que nós como cristãos/ãs e catequistas, vamos assumir? Será que esta Páscoa pode ser igual a outras tantas?
Queremos ser a Igreja do avental, que se coloca a serviço na defesa dos que mais sofrem, dos que não têm defesa. Vamos com coragem vestir o avental do servir na alegria e testemunhar todos os gestos praticados por Jesus. Só assim poderemos realizar sempre a festa da Ressurreição. Feliz Páscoa!

Ir. Marlene Bertoldi


PÁSCOA SIM! MORTE NÃO!

Se Cristo não tivesse ressuscitado, seriam vazias a nossa pregação e a nossa fé
(1Cor 15, 14).
Está-se numa sociedade em que a vida vale muito pouco! Pe. Vitor Feller, coordenador arquidiocesano de Pastoral (Florianópolis), faz-nos refletir que, apesar dos instrumentos fatais do poder da morte, existe um sentido pleno da vida: Páscoa!
Quando falamos de Páscoa, falamos de vida, de justiça, de fraternidade. Viver a Páscoa é promover passagens: do egoísmo para a solidariedade, da exclusão para a cidadania. Comemorar a Páscoa é lutar pelo sonho de uma vida feliz já neste mundo. Festejar a Páscoa é empenhar-se pelo sonho da vida eterna, da vida plena com Deus e com os irmãos e irmãs...


Página II
(Bíblia)

JOSÉ BARNABÉ E OS JOVENS
* Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia em Atos dos Apóstolos (2a. parte)*

José Barnabé, levita, nascido em Chipre, é o personagem em Atos dos Apóstolos que entrou no Caminho para dar testemunho de fé. Pe. Celso Loraschi, professor do ITESC, presenteia o(a) caro(a) internauta com a bela biografia de José Barnabé que, ao testemunhar o seguimento de Jesus Cristo, vende seus bens e os coloca à disposição da comunidade.
Pe. Celso ainda menciona a participação dos jovens, o novo modo de ser e de agir dos(as) seguidores(as) de Jesus. Estes(as) antecipam o futuro. A nova sociedade acontece agora, com atitudes concretas e corajosas. Portanto, entrar no caminho de Jesus é dispor-se ao novo, à partilha, à inserção, mesmo na convivência dos conflitos.

Página III

DÚVIDAS - ESPAÇO - DIÁLOGO
Catequese "COM ADULTOS" ou Catequese "DE ADULTOS"?

D. Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis-MT e catequeta, procura responder à questão surgida num encontro de catequistas. Afinal, é catequese "com" adultos ou "de" adultos?
Os documentos da Igreja mencionam "Catequese de adultos", expressando um modelo de catequese que revela a relação de catequistas com catequizandos, sejam adultos ou crianças.


Contudo, a expressão "Catequese com adultos" é o desafio para que a própria Catequese seja adulta, isto é, que desafie modificar os nossos métodos e acolha o adulto na sua situação e necessidade. É uma novidade, pois muda o enfoque da catequese infanto-juvenil para os adultos. Estes não são "só" destinatários, mas pessoas que procuram o aprofundamento da fé e a caminhada de cristãos na comunidade.

DE QUE TRATA A MORAL?

O sentido de Ética ou Moral só pode ser captado e definido em relação aos comportamentos, às ações, às práticas, aos atos que se realiza. O objeto característico da experiência moral é a ação, o agir humano.
Pe. Márcio Bolda da Silva, professor de filosofia e teologia, explica aos leitores do "Encarte" que a diversidade de ações e comprotamentos têm relação estreita e vinculante com a Moral. Isto porque a consciência humana é capaz de avaliar e julgar as ações humanas. E é concreto: julga-se o comportamento humano se está certo ou errado, honesto ou desonesto, justo ou injusto... Esta intuição da consciência leva à questão central da moral: O que é o "bem"? O que é ter um "bom" comportamento? O que é uma conduta "exemplar"?

Página IV

Sacramentos (XI)
A FORÇA DOS UNGIDOS NO BATISMO

A Ir. Marlene Bertoldi, coordenadora de catequese (Florianópolis) utiliza-se da página final do "Encarte" para focalizar a importância e a função do óleo no Batismo.

DINÂMICA
1 - Colocar diante do grupo diferentes tipos de óleo (óleo perfumado, azeite, óleo para proteção do sol, óleo como remédio, óleo para máquinas, óleo para móveis...)
2 - Distribuir os tipos de óleo para cada grupo para realizar uma pequena encenação. Ex.: O azeite - derramá-lo sobre uma verdura preparada. O óleo como remédio, uma enfermeira poderá fazer uma massagem...
PROVOCANDO UMA CONVERSA:
- Por que o óleo é tão importante?
- Qual a relação entre Batismo e Unção com óleo do santo crisma?
- O que significa ser ungido?

O batizado é ungido com óleo para uma missão; unção esta realizada com a força do Espírito Santo. O óleo no batismo significa resistência. É sinal de consagração ao amor infinito de Deus e de seguimento à Jesus Cristo.
O(A) batizado(a) é ungido(a) para fazer este mundo melhor.


DINÂMICA
- Preparar uma mesa, colocando a Bíblia, cruz, flores, óleo perfumado.
- Usar o óleo perfumado e apresentá-lo ao grupo.

De dois a dois vão conversar:
Qual é o efeito do óleo perfumado?
Quais as atitudes que nos fazem ser o bom perfume no meio da comunidade?

- Após a partilha, fazer uns minutos de silêncio e cada um de forma individual pensará um compromisso, expressando "o ser o bom perfume".
- No final: cada um se apresenta diante do catequista, ou animador, ou o sacerdote para ser ungido, na fronte, nas mãos, e nos pés, enquanto pronuncia seu compromisso.


"UM ESPELHO DA VIDA"

A escritora e catequeta Inês Broshuis, propõe um momento de leitura orante, a partir do Salmo 98, para o tempo Pascal. Aproveite!

Todos os instrumentos musicais devem entrar neste canto. Até a natureza é convidada: o mar, os rios, as montanhas, o mundo inteiro. A glória do Senhor é cantada no Templo e no universo!
Neste tempo pascal, agradecemos a Deus a maravilha da ressurreição de Jesus e, com isto, nossa ressurreição junto com ele: vida nova, vida eterna que nos foi concedida no Batismo.

SALMO 98
Cantai ao Senhor um cântico novo,
pois ele fez maravilhas.
Deu-lhe vitória sua mão direita e seu braço santo.
O Senhor manifestou sua salvação,
aos olhos dos povos revelou sua justiça.
Lembrou-se do seu amor e da fidelidade à casa de Israel.
Todos os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai ao Senhor, terra inteira,
gritai e exultai cantando hinos.
Cantai ao Senhor com a harpa,
com a harpa e com o som dos instrumentos;
com a trombeta e ao som da corneta exultai diante do rei, o Senhor. Ressoe o mar e o que ele encerra,
o mundo e seus habitantes.
Os rios batam palmas,
juntas exultam as montanhas diante do Senhor,
pois ele vem, pois ele vem julgar a terra.
Julgará o mundo com justiça e os povos com retidão.


O salmo 98 é um salmo de gratidão e louvor pela maravilha da salvação que Deus operou para seu povo.
1º momento: Procure um lugar tranqüilo. Faça silêncio interior profundo. Abra-se à ação do Espírito Santo com uma pequena invocação. Leia, devagar, o salmo todo.
2º momento: O salmo inspira louvor e gratidão pelas maravilhas que o Senhor tem feito para mim... para os outros... Quais são estas maravilhas? Procure lembrar algumas... Repita alguns versículos do salmo que expressam sua gratidão e louvor. Repita este versículo três vezes, bem devagar, em voz alta se puder.
3º momento: A ressurreição é o grande gesto de salvação que Deus fez ao seu Filho Jesus. Ele o oferece também a nós... a mim... Pela fé em Jesus, pela graça de Deus, a vida eterna já está presente em mim... Diga a si mesma(o): "Estou salvo(a); o amor de Deus me envolve e penetra." Repita-o devagar, algumas vezes. Se, neste momento, sentir-se atraído(a) a um profundo silêncio, fique assim sem se preocupar com o tempo.
4º momento: A Palavra de Deus me compromete. Como este salmo me leva até meus irmãos, a minha comunidade, ao mundo que me cerca? Onde se precisa mais de "ressurreição"? Como posso irradiar a vida nova concretamente? Expresse seu propósito numa pequena oração.
5º momento:
Qual versículo deste salmo vai me acompanhar hoje?

Escreva-o e o leve consigo para rezá-lo durante o dia.
(Obs. Pode-se fazer esta oração, e outras que seguirão, com mais pessoas, respeitando, porém, os momentos de silêncio e de oração pessoal.)


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