Página I
EDITORIAL
O
"Por quê vocês estão procurando entre os mortos
aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou"
(Lc 24, 7-8).
A quaresma nos permite ir ao encontro do Cristo vivo. É
uma caminhada, é um processo de fé, para chegarmos às
celebrações da festa da Páscoa. Supõe
sempre conversão e seguimento.
A quaresma é um tempo favorável à conversão,
isto é, a não nos apegarmos à aquilo que provoca
morte. Ao dar ouvidos ao mundo materialista, consumista e egoísta
nos leva a viver uma vida mesquinha, porque está cheia de "entulhos"
e que provoca um vazio existencial.
Este Cristo, que vamos acompanhá-lo passo a passo até
a Ressurreição, quem é ele para mim, para você,
para nós?
Somos seus discípulos dispostos a seguí-lo com convicção,
perseverança e persistência, ou assumimos o papel de
Pedro, que nega sua identidade para não ser reconhecido como
um dos que andam com Jesus?
Ou assumimos a atitude das mulheres, que apesar do túmulo vazio,
fizeram a memória das palavras de Jesus que havia dito que
no terceiro dia Ressuscitaria e acreditaram. E mais, acreditaram mesmo
não o tendo visto, porque experienciaram no dia-a-dia que somente
Ele "tem palavras de vida eterna".
E as mulheres após esta experiência "anunciam tudo
aos Onze, bem como a todos os outros" (Lc 24, 9).
Para anunciar Jesus é Ressuscitado é preciso, antes
de tudo, assumir algumas exigências:
- seguí-lo, assumindo seus sentimentos de perdão,
de justiça, de solidariedade...
- seguí-lo, convertendo-se todos os dias.
- seguí-lo, construindo juntos o Reinado de Deus.
- seguí-lo, libertando-se da ganância, do egoísmo,
dos consumismos, da falta de partilha...
- seguí-lo, sendo testemunho de que somos portadores
da sua mensagem.
- seguí-lo, assumindo o "ide por todo o universo
anunciar o seu reino".
- seguí-lo, caminhando nas suas pegadas no amor misericordioso.
- seguí-lo, sendo portadores da Ressurreição
para os sem esperança, sem dignidade, sem vida...
- seguí-lo, indo contra a tantas mazelas que o mundo
oferece.
- seguí-lo, sendo perseverante, apesar dos desafios,
cansaços e atropelos da vida.
Agora, é nosso tempo, porque somos chamados a continuar a prática
libertadora de Jesus, permanecendo firmes em seu caminho.
A você catequista que quer seguir a Jesus, testemunhando-o em
sua comunidade, sendo disponível no anúncio da sua Palavra
e colocando-se em atitude de servir,
Feliz Páscoa!
Ir.
Marlene Bertoldi
A
PÁSCOA
O
Arcebispo de Florianópolis, D. Murilo S. R. Krieger,
scj, recorda a origem da páscoa judaica: a passagem
salvadora do anjo de Javé, libertando o povo de Deus da opressão
egípcia (Ex 12-13). Jesus e os apóstolos, como bons
judeus, celebraram a páscoa-memória, na noite de quinta-feira,
a Santa, para nós. Porém, esta memória da páscoa
judaica, do Cristo com os apóstolos, se tornará a grande
celebração da Páscoa cristã: a instituição
da Eucaristia (Lc 22). É a própria pessoa de Jesus (corpo
e sangue) oferecida aos seus para a memória de todos os que
crêem: "Fazei isto em memória
de mim!"
Página
II (Bíblia)
UMA
ESCOLHA PRÁ VALER
* As cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja
no Novo Milênio" 3a. Parte *
As
cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja no Novo Milênio"
(3a parte)
O
prof. Celso Loraschi, de Lages - SC, provocando uma
reflexão sobre a primeira carta de São Pedro (1 Pd),
enfatiza que em 1, 6-12 a comunidade manifesta "alegria nas provações".
Nesta parte introdutória, percebe-se, além de tristeza
e preocupações, uma busca sincera e corajosa, resistente
e esperançosa pela construção do Reino de Deus.
A fé é muito mais preciosa do que o ouro que perece.
No trecho de 1, 13-2,10, a primeira série de exortações,
a comunidade esclarece e aprofunda o projeto de Jesus e fortalece
o ânimo dos seus seguidores. É um êxodo para a
santidade, para a prática da justiça, para o amor e
para a resistência.
Página
III
O
"ROSTO DA ANIMAÇÃO VOCACIONAL"
O
bispo de Rondonópolis - MS, D. Juventino Kestering,
escrevendo sobre o ano vocacional-2003, aprofunda sobre a realidade
vocacional das nossas comunidades. A exemplo de Jesus, que chamou
seus primeiros seguidores, convidando-os com o "Vinde e vede!",
um convite forte e decisivo, a Igreja, hoje convida seus fiéis
para propostas, também, concretas. A preocupação
pelas vocações sempre ocupou atenção pastoral
da Igreja. Especialmente, a partir do Vaticano II (1962-1965) a vocação
adquire um novo sentido e uma nova prática, pois há
a redescoberta da imagem da Igreja como "Povo de Deus",
há comunhão e participação, e todos somos
chamados por Deus para a missão. Portanto, é importante
organizar-se nas comunidades o SAV - serviço de animação
vocacional, para impulsionar os(as) cristãos(ãs) para
a missão.
CATEQUESE
RENOVADA
LER O DOCUMENTO
O
Irmão Nery, fsc, escrevendo sobre o Catequese
Renovada, documento de n. 26 da CNBB, que em 2003 completa 20 anos
de aprovação nacional, propõe, neste mês,
chaves de leitura. Primeiramente, como qualquer livro, tome-se o Catequese
Renovada lendo o seu índice. Faça-se uma leitura dinâmica
de todas as suas páginas. Leia-se a introdução
e a apresentação. E, finalmente, tome-se o conteúdo
para leitura. Segundo o Pe. Gruen, sdb, propomos as seguintes chaves
de leitura: 1 - Em ordem seqüencial do começo ao final:
A catequese e a comunidade na história da Igreja; princípios
para uma catequese renovada; temas fundamentais para uma catequese
renovada; a comunidade catequizadora. 2 - Em ordem inversa, do final
para o começo: a partir da comunidade catequizadora, como origem
e meta da catequese; que necessita se apoiar na reflexão, nos
temas fundamentais; que exige princípios básicos para
a catequese; que lê a caminhada histórica como pedagogia
catequética realizada por Deus na história da Salvação.
Página
IV
EUCARISTIA,
O BANQUETE FRATERNO
Sacramentos
XXIII
Ir.
Marlene Bertoldi, coordenadora de catequese da Arquidiocese
de Florianópolis, escreve sobre a Eucaristia, em continuidade
à compreensão dos diversos nomes deste Sacramento. A
Eucaristia se deu numa grande ceia. Uma das muitas ceias das quais
participou Jesus. Ele foi e é o centro de muitas ceias. Foi
em torno da refeição que o Cristo confirmava suas relações
de amizade, de acolhimento e de partilha: nas bodas de Caná
(Jo 2,1-11), na casa de Marta e Maria (Lc10, 38-42), na
casa de Simão, em Betânia (Mc 14, 1-9)... A Eucaristia
é a ceia da inclusão, é o banquete fraterno dos
seguidores de Jesus. Ao pregar o Reino de Deus, Cristo difundiu a
"abundância de vida para todos(as)". No banquete da
Eucaristia há solidariedade, compromisso, partilha, comunhão,
fraternidade...
DINÂMICA
Alguém dos participantes poderá vestir-se de mendigo,
sem o grupo perceber.
Em um momento, quando o grupo estiver fazendo alguma atividade, o
mendigo entrará e passará a pedir algo para cada um,
em silêncio, só usando gestos.
Após, esta cena, o mendigo volta descaracterizado, e passa
a questionar a atitude de cada um, lendo o texto de Mt 25, 35-39.
Cada participante recebe em forma de cartão a exortação
de São João Crisóstomo:
"Se queres honrar o corpo de Cristo, não o descuides
quando se encontra nu. Não o honres, aqui na igreja, com roupas
de seda para descuidá-lo lá fora, onde padece frio e
nudez. Com efeito, aquele que disse: "Isto é o meu corpo"
é o mesmo que disse: "Vós me vistes com fome e
não me destes de comer. E na medida em que fizestes isto ao
menor dos meus irmãos, a mim o fizeste".
"UM
ESPELHO DA VIDA"
Depois
de termos refletido diversos Salmos, apresentamos, de agora em diante,
alguns textos da Bíblia que refletem uma profunda experiência
de Deus. Tais leituras podem tornar-se para nós profundos momentos
de oração e podem nos ajudar a conscientizar-nos dos
momentos em que Deus se manifesta também a nós.
Hoje, vamos ver a experiência de Deus que Moisés teve
para descobrir sua missão de libertar o seu Povo.
1º
momento
Vamos criar um ambiente de silêncio. Podemos colocar um fundo
musical bem suave. Fiquemos em posição relaxada. Coloquemo-nos
na presença de Deus. Façamos uma breve oração
inicial espontânea.
2º
momento
Vamos ler o seguinte texto: (Ex 3,1-6.9-10.13-14)
Moisés era pastor das ovelhas de Jetro, seu sogro. Certo dia,
levou as ovelhas deserto adentro e chegou ao monte de Deus.
Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio de uma sarça.
Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não
se consumia. Pensou: "Vou aproximar-me para admirar esta visão
maravilhosa; como é que a sarça não pára
de queimar?"
Vendo o Senhor, que Moisés se aproximava para observar, Deus
o chamou do meio da sarça: "Moisés! Moisés!"
Ele respondeu: "Aqui estou!"
Deus lhe disse: "Não te aproximes daqui! Tira as sandálias
dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra
santa". E acrescentou: "Eu sou o Deus de teu pai, o Deus
de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó".
Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus.
O Senhor lhe disse: "O clamor dos israelitas chegou até
mim. Eu vi a opressão que os egípcios fazem pesar sobre
eles. E agora vai! Eu te envio ao faraó para que faças
sair o meu povo, os israelitas, do Egito".
Moisés disse a Deus: "Mas, se eu for aos israelitas e
lhes disser: 'O Deus de vossos pais enviou-me a vós', e eles
me perguntarem: 'Qual é o seu nome?', o que devo responder?"
Deus disse a Moisés: "Eu sou aquele que sou". E acrescentou:
"Assim responderás aos israelitas: 'Eu sou' envia-me a
vós".
3º
momento
Vamos analisar este texto, repetindo as frases que falam:
- da sarça ardente (o sinal que chamou a atenção
de Moisés)
- da voz de Deus que chamou Moisés
- da resposta de Moisés.
VAMOS RESPONDER:
- Moisés não podia se aproximar. Por quê?
- Por que Deus mandou tirar as sandálias?
- Qual a missão que Deus confiou a Moisés?
- Qual o nome que Deus revelou a Moisés?
- Moisés aceitou a missão que recebeu? Vamos ler na
Bíblia Ex 4,10-17 para ver como Moisés procurou escapar
da sua missão. A solução que Deus apresentou
é uma dica para nós?
Observação:
O nome que Deus revelou a Moisés nos soa estranho. O
fato de Deus revelar seu nome era um grande gesto de confiança.
Nas religiões das terras vizinhas de Israel, os povos procuravam
conhecer os nomes dos seus deuses. Acreditavam que, conhecendo o nome,
eles tinham uma força mágica sobre este deus. Pronunciando
este nome, podiam aplacar sua ira e evitar desgraças. Por isto,
Deus proíbe pronunciar seu nome; ninguém tem poder sobre
Deus (Daí vem o 2º mandamento: não tomar o nome
de Deus em vão). O nome de Deus, em hebraico, se escreve assim:
YHWH. Porém, por respeito, ninguém pronunciava este
nome, mas o substituía por "Senhor", ou "Adonai".
O nome de Deus "Eu sou", pode significar também "Eu
estou com vocês", porque YHWH é um Deus presente,
que caminha com seu povo. (Até o dia de hoje, os judeus não
pronunciam o nome YHWH, mas, lendo o texto da Bíblia, pronunciam
o nome "Senhor")
4º
momento
Em nossa vida, como chega a voz de Deus até nós? Lembramo-nos
dos momentos fortes da presença de Deus? Como se deram?
Esta experiência de Deus estava ligada a algum apelo de Deus
através da comunidade, de alguma pessoa? Como foi sua resposta?
5º
momento
Vamos terminar com um momento de profundo silêncio, colocando-nos
na presença do Senhor. Se o ambiente favorecer, podemos ficar
em posição de profunda adoração. Podemos
fazer como Moisés: tirar as sandálias, ajoelhar inclinando
a cabeça no chão. Fiquemos assim o maior tempo possível.
Pronunciemos, de vez em quando: "Senhor, estou aqui", ou
algo semelhante. Procuremos aceitar a missão que Deus nos mostrou
e que, às vezes, pode pesar muito.
Inês
Broshuis - Catequeta
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