"Esta na hora, o Senhor me chamou! Senhor, aqui estou!" A edição de agosto do encarte Catequese caminhando traz presente o "Ano Vocacional" que nos convida "a avançar para águas mais profundas, transformando as nossas pias batismais em fontes de todas as vocações" (18). Deus tem um projeto - vida para cada um de nós. Descobrir e assumir este projeto vivendo-o com alegria e fidelidade, é o segredo da paz e o caminho da realização.

Página I
EDITORIAL
Somos uma Igreja de vocacionados.
Através do batismo, recebemos o mesmo Espírito que animou a vida de Jesus. O centro da vida de todos os batizados é a pessoa de Jesus e sua proposta transformadora de amor e de justiça.
Através da comum dignidade batismal nos tornamos co-responsáveis para tornar visível o ministério da Palavra, da celebração e da caridade.
Ser catequista é exercer o ministério da Palavra. Como os primeiros Apóstolos e anunciadores todo e toda catequista é enviado a uma comunidade e fala em nome de Deus.
Primeiramente, o/a catequista faz experiência de Jesus Cristo e o comunica aos catequizandos, a exemplo de André e Filipe: "Nós encontramos o Mestre" (Jo 1, 41.45).
Não existe catequista pronto, perfeito, mas a vida, a experiência, a fé, a audácia, o entusiasmo, e o comprometimento com a comunidade são elementos que ajudam a abrir novos caminhos para sua vida.
O doc. Catequese Renovada nº 26 chama atenção para algumas qualidades, próprias de quem assume a missão de catequizar. Vejamos:
Catequista é:
Comunicador/a: Não fala sozinho. Desperta e provoca a palavra dos membros da comunidade (CR 1451).
Coordenador/a: Sabe coordenar a participação de todos (CR 144).
Semeador/a: Semeia a Palavra, tornando-se porta-voz da experiência cristã de toda a comunidade (CR 145).
Educador/a: Indica caminhos e meios para ser cristão e mostra a alegria de viver o Evangelho e portanto ser autêntico seguidor/a de Jesus (CR 147).
Pesquisador/a: Natualiza-se constantemente através de uma formação permanente, sobretudo nos conteúdos bíblicos, eclesiológicos e nas ciências humanas (CR 148).
Observador/a: Tem consciência crítica da realidade sócio-econômico-política e aprende nela os sinais de Deus (CR 148).
Facilitador/a: Facilita junto com um grupo de catequistas, oportunidades de oração, reflexão, vivência fraterna, planejamento e avaliação (CR 151).
Transformador/a: Vive sua fé pessoal e comunitária de forma comprometida colocando-se a serviço da justiça, da paz e da solidariedade (CR 150).
Impulsionador/a: Através de sua experiência, ternura e misericórdia é capaz de chegar ao coração daquele/a a quem catequiza (CR 147).
Servidor/a: Sonha, espera e convida a comunidade a libertar-se do egoísmo e do pecado e a celebrar a sua fé na Ressurreição (CR 146).
Integrador/a: Integra Fé e Vida, assumindo uma espiritualidade que dá razões para viver convictamente a missão de ser catequista (CR 146).
Catequista, parabéns pela resposta dada ao convite do Senhor, e com muito entusiasmo continue a anunciar a sua Palavra, para que o mundo creia e crendo chegue uma maior amorização.
Abraços pelo seu dia.

Ir. Marlene Bertoldi

O ANO VOCACIONAL E A CATEQUESE

A atividade catequética constituiu-se num lugar privilegiado para toda a animação vocacional que dá identidade e vida à Igreja. O/a catequista conhece as verdades da fé, vivenciando-as através do testemunho, anunciando com entusiasmo a Boa Notícia do Reino. Para isso o catequizando é educado para a gratidão, para a vida, para a sensibilidade diante dos apelos, para a oração, para o amor à Palavra e para a co-responsabilidade pois toda a comunidade deve ser responsável pela animação vocacional, aprendendo a amar a Igreja com o mesmo amor de Cristo que deu a vida por ela.

Pe. João Francisco Salm

Página II (Bíblia)

A VONTADE DE DEUS É QUE SEJAMOS PLENAMENTE HUMANOS
* As cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja no Novo Milênio" 7a. Parte *

As cartas de Pedro nos encorajam a responder, com disposição, à vocação de cuidar da vida; lutando contra qualquer atitude que seja um ultraje a vida, a natureza, como também a violação de direitos que excluem tanta gente. Nossa esperança baseia-se na vida de Jesus Cristo e concretiza-se através de gestos de amor, perdão, acolhida e serviço mútuo. Só o amor tem o poder de nos tornar plenamente humanos, portadores da mesma energia de Deus. O caminho é viver segundo Sua vontade. O modo de ser e de viver de Jesus Cristo foi de conformidade ao Plano de Deus, não cedendo as tentações egoístas do poder. Ele se tornou servo e passou a vida fazendo o bem, a partir das pessoas excluídas. É preciso que cada um de nós, assumamos a prática do amor seja por palavras, serviço e atitudes pois tudo se torna digno e nobre quando há amor.

Prof. Celso Loraschi

Página III

BATISMO, FONTE DE TODAS AS VOCAÇÕES

Neste mês vocacional vamos aprofundar a "identidade do discípulo" chamado a assumir um compromisso perante Deus, a Igreja e a comunidade. Primeiramente é preciso assumir a causa do Reino inaugurando assim uma nova fase de sua vida, deixando-se moldar pelos valores do Reino. Com esta atitude inicia-se um novo modelo de ser e viver num processo progressivo e persistente que implica em romper com tudo aquilo que destrói a vida. Lançar-se para um novo desafio exige coragem, persistência, oração e doação. Jesus é o caminho que conduz, orienta e aponta novos horizontes. Ele é o referencial de toda a vocação e a catequese é o campo fértil onde brota o compromisso assumido pelo batismo: ser discípulo/a de Jesus Cristo.

D. Juventino Kestering
Bispo de Rondonópolis - MT

CATEQUESE RENOVADA
ALGUNS DESAFIOS

A catequese é um processo contínuo que acompanha as mudanças que acontecem no mundo, nas comunidades. Estas mudanças encontram desafios. Um deles é a opção definitiva pela catequese com adultos conforme CR número 130. Outro desafios refere-se ao papel da linguagem na educação da fé que deve estar atenta ao homem e mulher da modernidade, do mundo urbano, da cultura cibernética, ao homem secularizado.
A utilização dos Meios de Comunicação Social na Catequese também constitui-se num desafio bem como a situação atual da família, que esfacelada, nem sempre assume o papel de primeiros responsáveis pela vida, pela educação e pela fé dos filhos. Outros desafios fazem parte deste texto levando-nos a compreender que a catequese está sempre evoluindo para atender as necessidades do mundo contemporâneo.

Irmão Nery, fsc
Assessor Nacional da Catequese

nery@telnet.com.br

Página IV

EUCARISTIA: CEIA DA VIDA PARTILHADA
Sacramentos XXVII

O documento número 69 "Exigência Evangélica e Ética de Superação da Miséria e da Fome" enfoca a má distribuição da renda e das riquezas que exclui os pobres da produção, da dignidade humana e da esperança. A Eucaristia nos conclama a repartir o pão com os irmãos.
DINÂMICA:
Apresentar em forma de dramatização a distribuição das riquezas no mundo.
- Levar um bolo.
- Dividi-lo em 10 fatias.
- Distribuir 8 fatias para 2 ou 3 pessoas.
- O restante, 2 fatias, distribuí-las para a maioria do grupo.

Após, refletir sobre esta chocante e real realidade e responder:
a) Quais as causas que criam esta realidade no nosso mundo de hoje?
b) Em nossos ambientes, também, vemos isto? Como? Quem são os excluídos da riqueza e do pão?
c) O que temos demais e poderia ser partilhado com os mais necessitados?
d) O que Jesus nos ensina? Como interpretar os gestos de Jesus num mundo faminto?
e) O que fazer?

Sentar-se ao redor de uma mesa significa participar e partilhar para que ninguém seja excluído, pois quem retém para si morre e quem partilha, vive. Não pode haver Eucaristia se não houver unidade, partilha, solidariedade, igualdade, justiça. A Eucaristia lança-nos para fora de nós, para junto dos esfomeados de pão material, e assim praticarmos a solidariedade e a justiça.

Ir. Marlene Bertoldi
Coordenadora Arquidiocesana de Catequese

"UM ESPELHO DA VIDA"
1 Sm 3, 1-10

Introdução
Estamos no Ano Vocacional e no Mês das Vocações. Hoje, vamos refletir sobre o chamado de Deus em nossa vida.
No lº livro de Samuel encontramos uma narração bonita de um jovem, Samuel, que sentiu o chamado de Deus e soube responder. Samuel era um grande profeta no tempo dos reis Saul e Daví. (Leia na Bíblia o primeiro capítulo do 1º livro de Samuel)
1º passo
Vamos ler, com muita atenção, uma parte do texto do cap. 3:
O jovem Samuel servia ao Senhor sob as ordens (do sacerdote) Eli.
Certo dia, Eli estava dormindo no seu quarto.
Samuel estava dormindo no santuário do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
Então, o Senhor chamou: "Samuel, Samuel!"
"Aqui estou!", respondeu, e correu para junto de Eli.
"Tu me chamaste; aqui estou!".
Eli respondeu: "Eu não te chamei. Volta a dormir!" E Samuel foi deitar-se.
O Senhor chamou de novo: "Samuel, Samuel!"
Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse:
"Tu me chamaste; aqui estou!"
Eli respondeu: "Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!"
O Senhor chamou pela terceira vez: "Samuel! Samuel!"
Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse:
"Tu me chamaste; aqui estou!".
Eli compreendeu, então, que era o Senhor que estava chamando o menino
e disse a Samuel:
"Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás:
"Fala, Senhor, que teu servo escuta!"
E Samuel voltou a seu lugar para dormir.
O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: "Samuel! Samuel!"
E ele respondeu: "Fala, que teu servo escuta!".
(Querendo saber a missão que Deus deu a Samuel, pode seguir a leitura na Bíblia)
2º passo
A resposta de Samuel ao chamado de Deus foi pronta e decidida.
O chamado de Deus se dá também em nossa vida, não uma só vez, mas muitas vezes.
Primeiro, fomos chamados à existência e, como tal, temos uma missão: construir um mundo justo e fraterno, onde haja lugar para todos serem felizes.
O segundo chamado se deu no nosso Batismo. Fomos chamados a seguir Jesus Cristo no seu modo de viver e doar-se, e para levar sua mensagem ao mundo.
Depois, vem o chamado para diversas missões. Pode ser o chamado para um estado de vida: casamento, ser padre, vida consagrada...
Mas o chamado de Deus vem, muitas vezes, para determinadas funções e serviços: dentro da família, da comunidade, do trabalho...
Vamos refletir: Quando tomei consciência de um chamado de Deus? Como reagi? É sempre fácil dar uma resposta?
(Quando a reflexão for feita em grupo, pode haver um momento de partilha)
3º passo
Nem sempre é fácil dar uma resposta ao chamado de Deus. Moisés lutou com Deus, não querendo aceitar a missão. Igualmente o profeta Jeremias. Podemos conferir isto na Bíblia. (Ex 3, 1-14; 4, 10-16; Jer 1, 4-10)
Deus chama pessoas de todo tipo, de idades diferentes, casadas ou solteiras, homens e mulheres. Não podemos pensar que o chamado é só para um determinado estado de vida. Deus chama na vida de cada um e em diversas situações, quando menos o esperamos.
Coloque-se diante de Deus, em silêncio. Reflita: como respondo aos apelos de Deus na minha vida? Onde Deus está me chamando? Como? Fale com Deus sobre seus medos, seu comodismo, sua falta de generosidade...
(Se a reflexão for em grupo, pode-se terminar com um canto: "Eis-me aqui, Senhor" ou "Senhor, se tu me chamas...")

Inês Broshuis - Catequeta

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