Página I
EDITORIAL
A
narração da descida do Espírito Santo sobre
os 120 discípulos e discípulas no dia de Pentecostes
descrita por Lucas, aponta o ideal que deve orientar a caminhada de
nossas comunidades de hoje.
Quem pode conter o vento, o fogo e as línguas do Espírito?
A simbologia nos indica a força vital e a energia divina que
dá vida às criaturas.
A festa de Pentecostes acontece em Jerusalém, a maior cidade
da Palestina, da época. Nesta ocasião estava cheia de
peregrinos. No entender de Lucas era gente piedosa, gente aberta aos
apelos de Deus. Vinham de todas as partes do mundo. Com tudo o que
estavam vendo e ouvindo se perguntavam: O que quer dizer tudo isso?
(At 2, 12)
Os apóstolos, de medrosos (Jo 20, 19) abrem, agora as
portas e enfrentam a multidão (At 2, 14). Dão testemunho
corajoso, anunciam a Boa Nova, ainda que em meio a tantas dificuldades
(At 13, 4).
O sentido de Pentecostes é muito atual para os nossos
tempos, sobretudo em se pensar na grande diversidade de pessoas que
convivem no espaço da cidade. Gente que vive de esperanças
e que quer dar sentido à própria vida, e estão
abertas à acolher a novidade da presença de Deus.
Muitos de nossos adultos da cidade, como os apóstolos,
cada vez mais despertam para um maior compromisso com a sua fé.
Porém, vê-se ainda muitos que são meros espectadores,
apáticos, com uma fé desencarnada e individualista.
Mesmo em meio a tanto securalismo, muitos Pentecostes acontecem,
que não são percebidos, porque a força do Espírito
atua no escondido, no ordinário da vida de cada dia: no diálogo
franco e aberto para a construção da paz e da justiça,
na superação da fome e da miséria, na alegria
das crianças que são acolhidas, na maior participação
da juventude, no afagar carinhoso dos idosos, na aceitação
da dor, no servir sem buscar recompensas, na oração
silenciosa, no pedir desculpas, no olhar atencioso de todo tipo de
atendente, na escuta de alguém...
O que fazer para que os adultos percebam que este é
o tempo favorável? E que os sinais são muitos?
Cabe a cada líder, animador, agente, fazer o povo protagonista
de sua caminhada e não ter medo de ousar, avançar, anunciar...
Sinalizados com o fogo do testemunho, com o vento da coragem e com
a língua do ardor da Palavra podemos trabalhar para que as
nossas comunidades urbanas sejam sobretudo, comunidades de partilha.
- PARTILHA DA VIDA. "E colocavam
tudo em comum" (At 2, 44). Partilhar não só os
bens, mas também os sentimentos as experiências de vida...
- PARTILHA DA PALAVRA. "Com
coragem, anunciavam a Palavra de Deus" (At 4, 31). Manter-se
em comunhão, em diálogo, em oração, respeito
ao diferente...
- PARTILHA DO PÃO. "Eram
perseverantes na fração do pão" (At 2, 40).
Encontrar-se ao redor da mesa para celebrar, viver momentos festivos,
alegrar-se bendizer a vida, expressar a amizade, acolher-se mutuamente,
sem preconceitos ou exclusões.
- PARTILHA DOS BENS. "E entre
eles não havia necessitados" (At 4, 34). Colocar em comum
tantos bens existentes. Fazer a experiência de ter e ser um
"coração misericordioso".
A partilha é a atitude visível da presença do
Espírito, a ponto que o homem e a mulher urbanos de hoje, poderiam
dizer: "O que quer dizer tudo isso"? (At 2,
12).
Ir.
Marlene Bertoldi
O
PENTECOSTES E A PAZ
Na
Solenidade de Pentecostes, a Igreja celebra o maravilhoso dom do Espírito
Santo. Este Espírito é dado a nós como o mais
sublime dom do Pai e do Filho. Dentre tantas obras maravilhosas do
Espírito está o dom da paz universal, a paz nos corações
humanos do mundo inteiro. Toda a humanidade anseia pela paz, que é
fruto do Espírito de Deus e deve ser construída com
a Sua graça. A paz, como fruto de Deus, é resultado
de uma colaboração entre a graça e a liberdade.
Então, impulsionados pelo Espírito Santo, tomemos iniciativas
de promoção da paz, da justiça, do bem...
Diácono
André Gonzaga
Página
II (Bíblia)
EM
JESUS-SERVO, A LIBERDADE E A ALEGRIA
*
As cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja
no Novo Milênio" 5a. Parte *
Nesta
segunda série de exortações da primeira Carta
de Pedro, quer-se mostrar Jesus, não triunfalista, mas servo
da verdade, do amor e da justiça. E seus seguidores assumem
a mesma atitude de Jesus e suas conseqüências, sem entrar
no jogo dos dominadores.
Para os cristãos e as cristãs é fundamental o
testemunho da vida cotidiana, pois as atitudes mostram mais que as
palavras. Por isso, os leitores e as leitoras desta carta devem assumir
boas relações com as autoridades, com os patrões,
entre esposos, tendo para com todos compaixão e misericórdia,
a exemplo do Cristo.
Prof.
Celso Loraschi
Professor da UNIPLAC e assessor de Bíblia do CEBI em Lages
Página III
BATISMO,
FONTE DE TODAS AS VOCAÇÕES
O Ano Vocacional-2003 busca sua inspiração em Lc 5,1-11:
"Avancem para
águas mais profundas..." Jesus,
à beira do lago de Genesaré, percebe o desânimo
dos pescadores, entre eles os primeiros Apóstolos, que durante
à noite nada pescaram.
Ao
mandato de Jesus, lançam suas redes, de novo, ao mar e pescam
tamanha quantidade de peixes. Frente a este sinal, as pessoas imprecionam-se
com Jesus e assumem seguí-lo, pois Ele é o Mestre que
anuncia a Palavra, que atrai, que desperta, que fascina, que vai ao
encontro.
A catequese deve assumir este jeito maravilhoso, como Jesus, de empolgar
as pessoas, de atraí-las para o Reino...
D.
Juventino Kestering
Bispo de Rondonópolis - MT
CATEQUESE
RENOVADA
FONTES DA CATEQUESE
A Catequese Renovada encontra seu conteúdo, sua força
e sua metodologia em quatro grandes fontes:
1.
Sagrada Escritura: A Bíblia, é o livro por
excelência da catequese, pois na Bíblia a catequese encontra
alimento são e vigor santo.
2. Tradição da Igreja:
É a missão que Jesus confiou aos seus seguidores de
pregarem a Palavra de Deus. Portanto, a catequese deve ser fiel a
esta Tradição, que inclui toda a Doutrina da Igreja.
3. Liturgia: A Liturgia, alimentada nas Escrituras, é
fonte e meta essencial para a catequese. A catequese deve educar para
a vida celebrativa.
4. Realidade das pessoas e do povo: Deus continua falando,
como sempre o fez, ao povo, pelos sinais dos tempos. Assim, as situações
históricas e as aspirações autenticamente humanas
são parte indispensável do conteúdo da catequese.
Irmão
Nery, fsc
Assessor Nacional da Catequese
nery@telnet.com.br
Página
IV
ALIMENTAR-SE
DO PÃO DA PALAVRA
e DO PÃO DA EUCARISTIA
Sacramentos
XXV
O
Concílio Vaticano II confirmou a igual importância
que têm a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Tanto a Dei
Verbum (DV 21) quanto a Sacrossanctum Concilium (SC 56) definem a
grandeza de uma boa participação da missa inteira, devido
à importância de suas partes.
1)
DINÂMICA:
Para
entendermos melhor vamos partir do texto bíblico de Lc 24,
13-35, que nos faz refletir sobre a caminhada celebrativa feita com
Jesus e a comunidade.
- Ler e dramatizar o texto.
- Transcrever as partes mais importantes (Pode-se escrever as frases
que destaca cada parte).
- (Ou ainda, para crianças desenhar cada parte).
1ª parte - Jesus caminha,
aproxima-se como amigo dos discípulos, escuta, sente seus problemas
e a realidade que estão vivendo (Lc 24, 13-24).
2ª parte - Jesus retoma com
eles a Sagrada Escritura iluminando os fatos que faziam sofrer seus
amigos.
Eles descobrem nas Escrituras, sinais de vida e de esperança
(Lc 24, 25-27).
3ª parte - Jesus se dá
a conhecer no gesto comunitário de partilha do pão na
celebração da ceia (Lc 24, 28-31).
4ª parte - a experiência
realizada na partilha da Palavra e do pão, os faz "abrasar
o coração" e portanto, vão anunciar a todos
isto é, à comunidade, o acontecido (Lc 24, 32-35).
Nós também percorremos um caminho com Jesus como os
discípulos de Emaús, quando nos reunimos para celebrar
a eucaristia.
Neste caminho celebrativo Jesus faz estrada conosco, onde vivenciamos
várias situações humanas: encontramos e acolhemos
pessoas, pedimos perdão pelas nossas faltas, agradecemos a
vida que temos, escutamos a Palavra de Deus e a Palavra da comunidade,
professamos publicamente a nossa fé, ofertamos os bens e a
nossa vida, nos alimentamos e assim fortalecidos com as duas mesas
estaremos dispostos a testemunhar e assumir compromissos, próprios
de cristãos comprometidos na construção do Reino
de Deus.
Ultimamente,
a Bíblia é o livro de presença marcante nas
celebrações do povo. Pois esta Palavra de Deus faz caminho
e constrói comunidades, ilumina, encoraja, questiona, cria
esperança, força e coragem. Por isso, a catequese tem
que fazer uma boa iniciação à escuta da Palavra
de Deus.
Igualmente, a mesa do Pão é força na caminhada
do povo. É a comunhão, a unidade entre as pessoas, a
energia entusiasmante, cuja fonte é o Deus-alimento. A comunidade
encontra-se para celebrar a vida, partilhar alegrias e sofrimentos,
solidarizar-se, alimentar-se do Pão da Vida...
Ir.
Marlene Bertoldi
Coordenadora Arquidiocesana de Catequese
"UM
ESPELHO DA VIDA"
1
Rs 19,11-13a
O
Senhor disse a Elias: "Sai
e permanece sobre o monte diante do Senhor."
Então, o Senhor passou.
Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que
desfazia as montanhas e quebrava os rochedos, mas o Senhor não
estava no vento.
Depois do vento, houve um terremoto, mas o Senhor não estava
no terremoto.
Passado o terremoto, veio um fogo, mas o Senhor não estava
no fogo.
Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa.
Ouvindo isto, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se
à entrada da gruta.
Então, o Senhor lhe falou...
1º
passo - Introdução
O profeta Elias fugiu de Jezabel, a mulher do Rei Acab. Ela quis matá-lo,
porque Elias enfrentou o Rei, matando muitos dos seus profetas. (cf
1Rs cap.18 e 19,1-10)
Elias andou pelo deserto, pedindo a morte a Deus. Mas veio um anjo
que o alimentou com pão e água e lhe mandou continuar
a caminhada. Elias andou quarenta dias e quarenta noites até
chegar ao Horeb, o monte de Deus.
O
povo de Deus fazia sua experiência de Deus, muitas vezes, através
das forças da natureza. Tudo lhes falava de Deus, do seu poder
e dos seus castigos. (É muito interessante ler os seguintes
textos: Ex 19,16-20; Is 29,6 e Is 66,15-16. São forças
da natureza que incutem medo e pavor, e significam o poder e a majestade
de Deus.)
Mas, no trecho que colocamos para nossa reflexão, Deus se mostra
diferente.
Vamos ler 1Rs 19,11-13a (texto acima)
2º
passo
Elias ouviu uma brisa leve e Deus estava nela.
Que diz isto para nós?
O encontro de Deus, a profunda experiência de Deus, geralmente
se dá no silêncio.
Qual o valor do silêncio em nossa vida? Nós a cultivamos?
Tiramos tempo para estar a sós com Deus? Quais as dificuldades
encontradas?
3º
passo
Segue uma bela reflexão que alguém escreveu a partir
do texto que acabamos de ler.
Leia este texto com muita atenção, bem devagar, observando
as frases que mais combinam com sua própria experiência
de vida. Fale sobre isto com Deus.
Se esta reflexão for feita com mais pessoas, pode haver uma
partilha sobre aquilo que mais tocou. (Onde estão os trovões
e relâmpagos na nossa vida?; já experimentamos a bonança?;
como sentimos a presença de Deus invadir o nosso coração?...)
Depois
de andar quarenta dias e quarenta noites,
cheguei à montanha.
Quase me perdi entre os rochedos.
O trovão da minha angústia estrondeava
e o relâmpago quis me ofuscar.
Mas,
então, veio a bonança... um panorama...
Deus me pediu que viesse para fora,
olhasse a luz, abrisse as mãos e respirasse fundo.
Enquanto
a brisa suave de Deus acariciava meu rosto, cantei:
Tu me dás tempo para viver.
Tu me chamas à Luz.
Eu te aspiro, tu me animas, nós nos tocamos...
Sê
força em mim para que eu seja forte.
Move-te dentro de mim para que eu sinta vida.
Sê ternura em mim, para que eu não seja rígido(a).
Sê luz em mim para que eu veja o caminho.
Sê fogo em mim para que eu não me apague.
Sê uma fonte em mim para que eu encontre água viva.
Chama-me
por meu nome
para que, renascida(o) em teu Espírito,
eu viva como tu me plasmaste
quando me deste tempo para viver.
Inês
Broshuis - Catequeta
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