"O alvorecer de cada dia traz sempre uma nova esperança. Com a noite que passou devem ficar também as incertezas, as dúvidas, as hesitações. Cada novo dia a esperança faz crescer o amor e a vida se torna mais bela". (Arnaldo Álvaro Padovani)
Olá, viajantes virtuais! A edição de maio do Catequese Caminhando já está a sua disposição. Este resumo é um aperitivo salutar que predispõe à leitura concreta do jornal. Apreciem!

Página I
EDITORIAL
Uma das expressões mais carinhosas e comprometedoras de Maria é quando ela nos diz: "Fazei tudo o que ele mandar" (Jo 2, 5). Retraduzindo esta frase parece que Ela estará sempre a nos dizer: Fazei tudo o que meu Filho propôs, trabalhou, ensinou, fez e viveu.
Nós, seus seguidores, precisamos trazer esta mensagem para a nossa atualidade, dentro dos grandes desafios do mundo moderno. Um destes desafios será como evangelizar, catequizar o mundo urbano, sempre em eterna construção, pelas mãos, inteligência, e coração do homem e da mulher dos nossos tempos.
O V Sulão a ser realizado nos dias 19 a 22 de junho em Campo Grande, onde reunirá Bispos, animadores, coordenadores de catequese dos cinco estados do sul, estará refletindo sobre a catequese com adultos na cidade.
O lema inspirador é "Venham e vocês verão" (Jo 39).
O rosto de Cristo já está presente na cidade, mas necessita ser apresentado com mais coerência através de nossa presença e testemunho.
Cada cristão e cristã diante das grandes ameaças, gritos, clamores, oportunidades que a cidade oferece parece que o rosto de Deus fica obscurecido e pouco visível.
O mundo da cidade é o mundo das grandes contradições: da fome e do luxo, da solidariedade e da corrupção, das oportunidades e das ameaças, da comunicação e da solidão, da partilha e do consumismo...
Mesmo assim, é possível encontrar o rosto de Deus na cidade através do anseio por uma sociedade mais justa, na valorização dos direitos, no clamor dos excluídos, na sensibilidade diante da fome e miséria, na comunicação que denuncia o mal e celebra a beleza e criatividade do ser humano e da ecologia...
É preciso então sintonizar-se com o coração de Deus que pulsa em meio à cultura, e entrar na história de cada ser humano que aspira por liberdade, justiça e igualdade.
Os discípulos vêem Jesus passando e querem encontrar-se com ele para conhecê-lo melhor. Jesus logo vai perguntando: "O que é que vocês estão procurando"? (Jo 1, 38).
O que o nosso povo, que vive na cidade está procurando, buscando com tanta ansiedade?
A sociedade oferece milhares de escolhas para saciar a sede da felicidade.
E nós, que águas oferecemos para saciar tantas sedes? Jo 4 apresenta Jesus como a fonte de água viva.
Somos nós poços e baldes adequados, onde as pessoas se sentem acolhidas, escutadas, amadas, valorizadas?
Precisamos ser convictos seguidores de Jesus, cujo testemunho e experiência de fé, nos permitem vivê-lo e apontá-lo aos outros dizendo: "Nós encontramos o Mestre" (Jo 1, 41).

Ir. Marlene Bertoldi

UM ROSÁRIO CRIATIVO

Com a Carta Apostólica do Papa João Paulo II, a Igreja Católica incentiva as famílias à prática da oração do Rosário. A catequese tem a importante missão de resgatar o significado e a riqueza desta oração. Uma reflexão importante daquela carta é que o rosário possui o horizonte cristológico. O rosário põe o orante em contato com Cristo e o seu Evangelho. A mesma carta insere na oração os mistérios da luz, que meditam sobre a vida pública de Jesus. O Papa lembra, ainda, que o rosário é a oração da paz e da família. O rosário sempre foi recitado como a oração da família e pela família.

Pe. Vitor Galdino Feller
Coordenador de pastoral da Arquidiocese e professor no ITESC



Página II (Bíblia)

A PEDRA FUNDAMENTAL
JESUS CRISTO é a pedra fundamental e o povo todo é sacerdotal
* As cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja no Novo Milênio" 4a. Parte *

A Jesus Cristo é a pedra fundamental e o povo todo é sacerdotal. Esta é a reflexão correspondente ao texto de 1 Pe. 2,4-10: Diante das exclusões, da pobreza e do desprezo vivido pelos cristãos da Ásia Menor, quer-se lhes dar força e esperança no Espírito de Deus. Por isso, a comunidade petrina lembra que Jesus Cristo é a pedra angular, o fundamento da comunidade. Mesmo tendo sido rejeitado pelo mundo, Jesus se tornou a pedra fundamental da nova sociedade, pois se empenhou pela justiça. Igualmente, todo o povo é sacerdotal, porque os cristãos e as cristãs são chamados a entregar sua vida para que o mundo tenha vida em abundância.

Prof. Celso Loraschi
Assessor de Bíblia em Lages

Página III

BATISMO, FONTE DE TODAS AS VOCAÇÕES

O Jesus, a partir do seu batismo, proclama e difunde a Boa Nova do Reino, não só por palavras, mas pelas suas ações. Jesus, o Filho amado do Pai, veio ao mundo fazer a vontade do mesmo Pai e realizar a missão de salvar a humanidade. Todo(a) aquele(a), que como Jesus é batizado(a), também é filho(a) amado(a) do Pai, chamado(a) a ser seguidor(a) de Jesus, inserido(a) na comunidade, aberto(a) à luz do Espírito Santo. A catequese tem fundamental importância na educação da fé: conscientizar os(as) cristãos(ãs) de maneira que o seu batismo passe a ser a raiz e a base da sua vocação e da sua missão.

D. Juventino Kestering
Bispo de Rondonópolis - MT



CATEQUESE RENOVADA
BUSCANDO AS RAÍZES

O documento Catequese Renovada fornece luz para compreender melhor o que é a Catequese, hoje. De origem grega, Catequese é fazer ecoar e ressoar. A Palavra de Deus vem dele mesmo e é do alto. Vem com a força de sua autoridade divina. A Palavra ecoa no interior da pessoa, transforma-a e a faz participar da comunidade, da vida, do mundo. A Catequese, o(a) catequista deve ajudar o(a) catequizando(a) a escutar tal Palavra, a acolhê-la, a vivê-la. O(A) catequista deve ser o(a) mediador(a) do processo catequético e tem que estar atento(a) a: ajudar o(a) catequizando(a) a dialogar e a comungar com Deus; propiciar um ambiente comunitário de fé, de amor e de esperança; favorecer a presença da vida no processo para transformá-la.

Irmão Nery, fsc
Nery@telnet.com.br

Página IV

"FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM"
Sacramentos XXIV

Jesus assume o memorial do seu povo, o povo judeu, pois estava inserido naquela cultura. Para Jesus, como para os judeus, fazer memória é professar a fé no Deus único e verdadeiro. Assim, ao celebrar a última Ceia com os Apóstolos, o Cristo concretiza o memorial e o compromisso com o Deus da Aliança. Para os(as) cristãos(ãs), a memória eucarística é o grande momento comunitário para recordar tudo o que Jesus disse e fez. Não é uma simples repetição de palavras e, sim, uma eficácia transformadora que dá força, que é alimento, que faz resistir e perseverar na construção do Reino de Deus.


1) DINÂMICA:
A) Antes de começar a refletir com algum grupo sobre Eucaristia como memória podemos pedir para que os participantes tragam algum símbolo, foto ou algo que possa traduzir em memória de pessoas, fatos, acontecimentos que marcaram a vida.
Ex: Colocar sobre uma mesa tudo o que for trazido. Completar com outros trazidos pelo catequista:
- jarra com água;
- camiseta de um time;
- cruz com um pano branco;
- pão e uma panela vazia;
- um cocar indígena;
- um cacto.
B) Cada participante poderá expressar:
. Que fatos, acontecimentos lembramos a partir dos símbolos, das fotos que temos?
. O que eles dizem para a nossa vida?
. Em que modificou nossa vida? Por que?
. Que memória da vida de Jesus nos trazem?

2) DINÂMICA:
A) Levantar com o grupo frases marcantes ditas por pessoas de destaque: pais, avós, amigos, professores, padres, catequistas, cientistas, filósofos, papa, santos...
B) Trabalhar com o grupo a frase:
"Fazei isto em memória de mim"
a) Por que esta frase de Jesus é marcante?
b) O que ela fala da vida de Jesus?
c) Em que ela nos compromete?

(Podem ser respondidas em forma de desenho em quadros ou com figuras em seqüência, destacando algumas palavras).

Ir. Marlene Bertoldi
Coordenadora Arquidiocesana de Catequese

 

"UM ESPELHO DA VIDA"
Ex 33,18-23

INTRODUÇÃO
O Povo da Bíblia fazia profundas experiências de Deus. É sempre difícil descrever uma experiência de Deus. A Bíblia recorre a uma linguagem poética que é a mais própria para descrever os sentimentos mais profundos.
Desta vez, vamos aprofundar uma experiência que Moisés teve de Deus, experiência de muita gente, até hoje. Moisés sente que Deus é insondável. Ele não consegue compreender os caminhos de Deus. Deus lhe mostra que ele deve aceitar que o ser humano é limitado demais para penetrar plenamente no mistério divino. Encontramos a descrição desta experiência profunda de Deus em Ex 33,18-23.

Moisés disse a Deus: "Mostra-me a tua glória".
E o Senhor respondeu:
"Farei passar diante de ti toda a minha bondade
e proclamarei meu nome YHWH na tua presença. (...)
Não poderás ver minha face,
porque ninguém me pode ver e permanecer vivo.
Eis aqui um lugar perto de mim!
Tu ficarás sobre a rocha.
Quando a minha glória passar, eu te porei na fenda da rocha
e te cobrirei com a mão enquanto passo.
Quando eu retirar a mão, tu me verás pelas costas.
Minha face, porém, não poderás ver."

1º passo: Procure um ambiente de silêncio. Tome uma posição relaxante. Invoque a luz do Espírito Santo. Depois, leia devagar o texto, algumas vezes. Deixe penetrar no coração toda a profundidade do texto.

2º passo: Moisés diz: "Mostra-me a tua glória". Está no ser humano um grande desejo de se encontrar com o Transcendente, o Sagrado. Nossa época atual mostra uma sede profunda de conhecer e experimentar Deus. Reflita por alguns instantes: Eu reconheço em mim este desejo? Como? Quando? (Se a reflexão for feita em grupo, podem-se partilhar as experiências)

3º passo: Deus responde que fará passar a sua bondade e que proclamará seu nome YHWH. (Veja a explicação do nome de YHWH na reflexão do mês passado). Deus diz que ninguém pode ver a face de Deus e permanecer vivo. O texto quer dizer que, apesar de tudo que procuramos saber e compreender de Deus, somos incapazes de dizer quem é Deus realmente. Você sente também que é difícil entender Deus? Você se interroga sobre isto? Quando você experimenta esta dificuldade de entender Deus?

4º passo: Deus diz que, enquanto ele passar, cobrirá Moisés com a mão. É um gesto de cuidado, de amor, de proteção. Deus quer dizer que, mesmo não entendendo o Mistério de Deus, ela se faz presente e se faz sentir. Você sente esta mão protetora de Deus de vez em quando? (Leia também sobre a mão protetora de Deus no Salmo 139,5 e 10)

5º passo: Depois que Deus passar, retirará a mão e Moisés verá Deus de costas. A face de Deus, porém, não poderá ver. Que quer dizer "ver Deus de costas"? Você o sente, às vezes?

6º passo: Saboreie, mais uma vez, toda a riqueza e profundidade deste texto e faça uma comparação com sua própria experiência de Deus. Ela se parece, ou é diferente? Em quê? Fale com Deus sobre isto, ou dê sua resposta através de um profundo silêncio diante do Mistério, ficando assim o maior tempo possível.

7º passo: No Evangelho de João, Jesus diz "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,9). Realmente, Jesus é a "face" do Pai, a revelação do Pai. Através de Jesus sabemos quem é Deus para nós: amor, misericórdia, bondade, exigência também. Jesus resplandece o divino. Mesmo assim, o ser profundo de Deus continua a ser um grande Mistério. Só depois da morte, veremos Deus face a face, como diz São Paulo: "Agora nós vemos como num espelho, confusamente. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido" (1Cor 13,12).

Inês Broshuis - Catequeta

Gostaria de assinar o Encarte Catequético

«-- voltar