Missão e Evangelização se entrelaçam, se completam. "A ordem dirigida por Cristo Ressuscitado aos seus discípulos: "ide, pregai..." (Mt 28,19) fixando eficazmente a imagem e função da Igreja Peregrina, exprime o dinamismo missionário, que é intrínseco à sua natureza" JPII. A Igreja é perenemente enviada aos povos como Luz, Sal, Serviço, Sacramento do Senhor Jesus. Neste mês missionário, belas e agradáveis matérias estão no jornal, convidando-o a uma boa leitura.

Página I
EDITORIAL
Outubro sempre nos traz presente a grande dimensão da Igreja, que é a de ser toda missionária.
Todo/a batizado/a traz o selo da missão e portanto passa a ser um missionário. É o próprio Jesus que nos faz a proposta: "Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos" (Mt 28, 19).
Se todo cristão/ã já tivesse assumido esta responsabilidade, certamente a proclamação e o testemunho do Evangelho teria ultrapassado muitas fronteiras e teríamos um mundo mais humano e fraterno.
A missão que Jesus nos confere pode ser efetuada em qualquer espaço, seja rural, de periferia, ou urbano.
Em nossas cidades, grandes ou pequenas vemos a fome, a miséria, a violência, a fragmentação das famílias... Deus precisa de nossos braços para acolher, amar e servir os mais abandonados, excluídos e sofridos.
Nosso coração humano tem dois movimentos: um para dentro e outro para fora. Assim é a missão do cristão. Precisamos evangelizar com o testemunho e a presença os que estão ao nosso redor: familiares, adultos, jovens, crianças, mas também precisamos alargar os horizontes para além de nossos próprios espaços: vizinhos, comunidades, países, o mundo.
A palavra missão significa envio. Porém o termo latino "missio" quer dizer "libertar" deixar andar". O envio tem tudo a ver com libertação.
O envio pressupõe gratuidade. Ao colocar-se à disposição para assumir algum trabalho, é preciso libertar-se de interesses, que egoisticamente prendem e impedem de realizar o Reino de Deus.
Todo/a catequista que assume o chamado de Jesus, tem também, um grande espírito missionário.
Um coração missionário:
* não tem medo de arriscar-se e de anunciar;
* não fica quieto, enquanto perceber que em sua comunidade tem gente sofrida e faminta;
* é um caminhante como Jesus: visita, vai ao encontro, consola, acolhe...;
* convida as pessoas a tornarem-se discípulas de Jesus, seguidoras de seu evangelho e anunciadoras de seu amor.
* promove a justiça, a solidariedade e defende a vida e a paz.
* assume com consciência que ser batizado é também ser missionário e portanto leva toda a comunidade a ser sujeito privilegiado da missão universal, revelação do amor gratuito de Deus;
* cria um diálogo aberto entre as pessoas superando qualquer dominação, violência...
* sabe que é possível realizar relações fraternas entre gêneros, culturas, pessoas e povos diferentes...
Você, como catequista, tem espírito e coração missionário?
O que diz para você tantas carências existentes ao seu redor e em países além fronteiras como os da África, da América Central, da Ásia...?
É preciso ter vistas grandes, além do horizonte para compreender a relevância da nossa missão nas dimensões da partilha, da comunhão e da gratuidade.
Em sua comunidade fala-se, pensa-se a vocação missionária? É algo estranho ou algo vivo, dinâmico próprio da nossa Igreja?
Nos dia 17 a 20 de julho realizou-se em Belo Horizonte o congresso missionário nacional, com o lema: Igreja no Brasil, tua vocação é missão. Em novembro acontecerá na Guatemala o (Comla 7) 7º Congresso Missionário Latino Americano, com o lema: Igreja na América Latina, tua Vocação e Missão.
Rezemos para que sejamos missionários, anunciadores apaixonados na construção do Reino de Deus.

Ir. Marlene Bertoldi

CRESCER NA LEITURA DA BÍBLIA

Este é o título do subsídio produzido pela CNBB, na coleção "Estudos" número 86, que acaba de ser publicado pela Paulus. Este subsídio vem preencher uma lacuna em relação a falta de material para a animação bíblica. O subsídio consta de sete capítulos com as seguintes abordagens: 1. A Bíblia na realidade de hoje;
2. As múltiplas características da Bíblia;
3. A Bíblia fala de muitos modos;
4. Para um livro tão variado, muitas são as abordagens;
5. Algumas orientações básicas;
6. A Bíblia no ecumenismo e no diálogo inter-religioso;
7. Indicações positivas para a animação bíblica. O estudo deste subsídio contribuirá para o crescimento na verdadeira leitura da Bíblia, para fazer acontecer, entre nós o Reino de Deus.

Pe. Ney Brasil Pereira
Professor no ITESC

Página II (Bíblia)

CHAVES-DE-LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE PEDRO
* As cartas de Pedro ajudando a "Ser Igreja no Novo Milênio" 9a. Parte *

Concluindo o estudo sobre a Primeira Carta de Pedro serão revistos pontos que funcionam como chave de leitura que ajudarão a conhecer melhor nossa missão e animar nossa caminhada na construção de um Novo Mundo. Apresenta os cristãos e cristãs da Ásia Menor que vivem um "Novo Êxodo" ao migrarem em busca de uma vida melhor. Aprofundando o sentido do Êxodo e meditando as palavras dos profetas e sábios descobrimos que nós somos um povo eleito, amado por Deus e conduzido por sua mão. Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor, fazendo-se servo de todos, rejeitado e morto, tornou-se a nossa pedra angular. A fé em Deus misericordioso nos faz criaturas novas e por isso chamados a andar numa vida nova, com um novo entendimento e com um novo modo de agir. Andar no caminho da santidade, não mais envolvidos nas trevas, mas em plena luz. E é no espaço sagrado da casa de família que exercitamos o amor fraterno, fazemos a memória de Jesus, celebramos o Batismo e partilhamos a Ceia. Este caminho, se faz caminhando apesar das dificuldades de viver a proposta de Jesus no meio de uma sociedade baseada em valores antievangélicos. Estas dificuldades porém não vão impedir a realização do Plano de Deus pois nos deixamos conduzir pela certeza de que Deus é o "Senhor da história".

Prof. Celso Loraschi

Página III

BATISMO, FONTE DE TODAS AS VOCAÇÕES

Vocação é um chamado para o serviço. É gratuidade em prol das pessoas, da Igreja, da evangelização da proclamação do Reino de Deus.
A vocação nasce na comunidade que tem como missão despertar, cultivar, criar condições e acompanhar as pessoas que mostram algum dom, talento ou vocação para o trabalho no Reino de Deus. Cada pessoa batizada tem a responsabilidde de viver bem o chamado, mas também de contribuir para que os demais tenham condições de responder ao chamamento divino para ser gente e para seguir Jesus. No texto base, o n. 124 diz: "É necessário
ajudar os vocacionados a olharem para a decisão vocacional como um serviço aos irmãos e como ascensão social ou busca de uma posição privilegiada na sociedade e na Igreja.

D. Juventino Kestering/ Bispo de Rondonópolis - MT
E-mail: Juvake@terra.com.br

CATEQUESE RENOVADA
C A T E Q U I S T A S

Ser Catequista é vocação e missão. É um dom de Deus mas que requer nossa resposta e nosso compromisso. Para isso, é preciso preparar-se continuamente criando meios para esta formação que depende de alguns fatores e dentre eles sermos pessoas convertidas e engajadas pois agimos em nome da Comunidade Eclesial. Outro fato que contribui para a formação do catequista é ajudar na organização da comunidade escolar pois se conhecermos a realidade a catequese se destacará como prioridade e consequentemente recebera a atenção, da comunidade eclesial. A CNBB publicou um livro na Coleção "Estudos" (n. 53) dedicado a formação do catequista. Foi destacado: 1 - a importância da formação pessoal do catequista, comprometendo-se com Deus no engajamento na comunidade Eclesial. Quando esta formação é realizada em grupo torna-se mais sólida pois a experiência de comunidade enriquece a todos;
2 - é preciso diferenciar os encontros catequéticos do estilo acadêmico escolar. Os encontros catequético priorizam a fraternidade, a comunhão com Deus, a meditação onde os conteúdos partem do coração, do amor, da fé. 3 - a catequese une coração (experiência), intelecto (estudo) vontade (comportamento) e espírito (união íntima e comunitária com Deus); 4 - quando trata-se de questões básicas da fé, é preciso buscar apoio, enriquecendo assim os encontros, numa atitude de humildade,... 5 - Para formar catequistas é preciso também que haja uma boa Escola de fé, com bons assessores que venha não só desenvolver um trabalho ligado ao intelecto mas que zele seriamente pela vida cristã como um todo. Este texto finaliza convidando a estudar e refletir os numeros 144 a 151 do Doc. Catequese Renovada.

Irmão Nery, fsc
Assessor Nacional da Catequese

nery@telnet.com.br

Página IV

EUCARISTIA: COMUNGAR CRISTO É COMUNGAR A CRIAÇÃO
Sacramentos XXIX

O Ser humano é um todo e carrega consigo a criação. Ninguém pode existir sem água, ar e sem o alimento que vem da terra. Somos filhos da terra e toda a criação do mundo é Eucaristia porque se torna elemento de transformação e de doação: O trigo, a uva, os animais morrem, doam-se, tornando-se vida para gerar mais vida porque o que morreu "ressuscita" em nova qualidade de vida.

DINÂMICA:

Enfeitar
uma mesa com gosto com vários alimentos: água, espigas de trigo, milho, sementes variadas, ovos, patês, pão, bolachas, mel, salames, óleo, vinho...
Discutir com o grupo:
1. Qual a relação do alimento com o mundo criado?
2. O que era antes e é agora? Qual a transformação acontecida? Com que finalidade?
3. Como cuidar do ar, da água, da terra para sempre estarem a serviço de todos e de todas?
4. Quando podemos dizer que nossa vida também é eucarística?
5. O que significa para nós: Viver é um movimento eucarístico?
6. Fazer uma procissão, colocando sobre o altar as oferendas, acompanhadas por preces de agradecimento.

Santo Agostinho dizia que Deus nos doou dois livros: A Bíblia e a Natureza. É preciso cuidar bem da natureza, que é vida, para poder entender a Bíblia.
A natureza é casa para todos e portanto não pode ser tratada como um objeto qualquer, usando e abusando dos recursos naturais com ganância, com egoísmo. Todos tem direito a desfrutar da natureza.
Em meio a este mundo caótico é preciso resgatar a riqueza simbólica da Eucaristia: - sobre o altar estão os frutos da terra e do trabalho humano. Ao nos alimentarmos da Eucaristia é preciso ter consciencia de que a terra é mãe-geradora de vida para todos; - a água simboliza a natureza humana que se transforma no divino sangue de Cristo; - o ar também presente no altar é alimento importante envolvendo-nos durante nossas celebrações. Não podemos nos acomodar e permitir que nossos recursos naturais sejam poluídos. Que a celebração da Palavra e da Eucaristia nos faça reagir diante da degradação produzida pelos próprios humanos.

Ir. Marlene Bertoldi
Coordenadora Arquidiocesana de Catequese

"UM ESPELHO DA VIDA"
Is 40, 12-13a; 28-29; 31

Quem foi que na concha da mão
calculou toda a água que há no mar?
Quem mediu a palmos o céu?
Quem pôs no alqueire todo o pó da terra inteira?
Quem calculou o peso das montanhas
ou pôs as serras na balança?
Quem terá orientado o espírito do Senhor?
Acaso não sabes? Ainda não ouviste falar?
O Senhor é o Deus eterno!
Foi ele quem criou toda a extensão do mundo.
Ele não corre, nem se cansa,
nem é possível pesquisar sua inteligência.
É ele que dá ânimo ao cansado,
recupera as forças do enfraquecido.
Os que esperam no Senhor
renovam suas forças,
criam asas como águia,
correm e não se fadigam,
andam, andam e nunca se cansam.

Introdução
O profeta quer convencer os exilados em Babilônia de que os ídolos dos opressores nada são. Não são os deuses da Babilônia que agem, mas o Senhor YHWH. Assim, critica qualquer forma de idolatria, sobretudo do poder e da riqueza. O texto também mostra que Deus é sempre maior do que nossos planos; ele nos ultrapassa infinitamente não podemos perscrutar seus caminhos.

1º passo: Saborear o texto
Leia o texto algumas vezes. O que chama mais sua atenção? O que Deus poderia acrescentar mais em favores, prodígios e benefícios?

2º passo: Ver a realidade da vida
.Há "deuses falsos" em sua vida? Você espera a felicidade de quem? De quê?
.O progresso material não assegura a felicidade. Já experimentou isto? Como foi esta experiência?
.Quais são ou foram os momentos mais felizes na sua vida neste último mês? O que lhe fez tão feliz?
.Foram aspectos materiais ou outros valores?
.Muitas vezes, não entendemos os caminhos de Deus. Interrogamos o Senhor: "Que foi que fiz para merecer isto? Por que me tratas assim?" Esta leitura dá alguma resposta, uma nova perspectiva?
.Leiamos agora, na Bíblia, Is 40,12-31.

3º passo: Momento para falar com Deus
.A partir da realidade da sua vida, escreva um "salmo" expressando seus sentimentos. (Se a reflexão for feita por mais pessoas, os diversos "salmos" podem ser lidos e comentados, depois, pelo grupo).
.Escolha um versículo que muito lhe tocou e deixe-o ressoar no seu coração durante o dia.

(É interessante ler, em tempo oportuno, Jó, cap. 38 e 40,1-5. Jó não está entendendo porque está sofrendo tanto e pede a Deus uma explicação. Deus não dá uma resposta, mas interroga Jó que se rende ao mistério insondável de Deus).

Inês Broshuis - Catequeta

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