OS TRÊS TEMAS DE BENTO XVI

Iniciamos o mês de julho feste­jando o dia do Papa. Dia 29 de junho é dedicado a São Pedro e São Paulo. Bento XVI nos tem enriquecido com sua catequese e evangelização, lem­brando antes de tudo que Roma é a "Igreja que preside no amor". O tro­no de Pedro deve estar fundado na fé e no amor. Eis o primado de Pedro: crer em Cristo e confessar sempre: "-Senhor tu sabes que te amo!." O ministério petrino é uma questão de amor que vem da fé. O que redime não é o poder, é o amor.

Nosso novo Papa tem acentua­do que quer dar vigor ao ecumenis­mo, apoiar a juventude e ser servidor da Palavra de Deus. Seus discursos profundos e pastorais têm privilegia­do três temas: amizade com Jesus, os desertos de hoje, o jardim.

Quanto à amizade com Jesus, o tema aparece em quase todos os dis­cursos de Bento XVI. Não há nada mais belo que ser alcançado por Cristo Jesus e escancarar-lhe as por­tas do coração. Quem deixa Cristo entrar em sua vida, não perde nada, ganha tudo. Sua vida se torna livre, bela, digna e grande. Cristo é a medi­da do verdadeiro humanismo. A ami­zade com Jesus se comprova no segredo que Ele nos revela, ou seja,

o rosto do Pai, Cristo confia-se a nós, confia-nos sua Palavra e a Eucaristia, dá-nos toda sua confiança. Mostra-nos sua ternura, seu amor apaixona­do até à loucura da cruz. Precisamos fazer conhecida pêlos outros esta amizade de Jesus. Sem Cristo a vida é incompleta, pois falta a realidade fundamental. É preciso desejar o que Cristo deseja e querer o que Ele quer. Amizade é uma comunhão de vonta­des. A amizade com Jesus consiste em fazer sua vontade.

O segundo tema que aparece frequentemente nos escritos do novo Papa é o dos desertos de hoje. Há desertos exteriores e interiores. Cita sete desertos: a pobreza, a fome, o abandono, a solidão, o amor destruí­do, a obscuridade da fé, o esvazia­mento das almas. São desertos de alienação. Cabe ao bom pastor ir a estes desertos à procura da ovelha ferida e tresmalhada. Isso requer paciência. Estes desertos são frutos do relativismo ético, da concepção equivocada de liberdade, da ditadura do individualismo e do misticismo vago, aliado a uma fé fraca. Nada pode melhorar o mundo se o mal não for vencido. A misericórdia põe um limite ao mal e o perdão tem o poder de destruí-lo e vencê-lo. O mundo

foi salvo pelo crucificado e não pêlos crucificadores.

O terceiro tema é o do jardim. O plano de Deus é que a terra seja um jardim, não um deserto. A justi­ça, a paz, a fé adulta são sementes do jardim, ou seja, vida com digni­dade. É preciso semear a Palavra e levar a todos a amizade oferecida por Jesus. Cada pessoa é fruto e flor de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, é ama­do, é necessário. Este vale de lágri­mas deve ser transformado em jar­dim, em paraíso, segundo a vontade de Deus. Na prática da vontade de Deus está a beleza do jardim. A vontade de Deus se expressa nos mandamentos, isto é, no amor.

Rezai por mim diz Bento XVI, pois sou um "débil servidor de Deus". Rezai por mim para que eu aprenda cada vez mais amar o Senhor. Rezai por mim, para que eu aprenda a amar cada vez mais o rebanho. Rezai por mim, para que eu não fuja por medo dos lobos. A vos­sa oração, o vosso amor, a vossa indulgência, a vossa fé e a vossa esperança acompanham-me. Obriga­do por vosso afeto que tanto me aju­da. Apascentar é amar e amar é saber sofrer. Sabei que o Papa vos ama.

 

 

Dom Orlando Brandes
Bispo de Joinville